Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 26 de fevereiro de 2011

I dreamed a dream.




Eu sonhei um sonho num tempo que já se foi
Quando esperanças eram grandes e valia a pena viver
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus seria misericordioso

Então eu era jovem e destemida
Quando sonhos surgiram e foram e usados e desperdiçados
Não havia nenhum resgate a ser pago
Nenhuma canção não cantada, nenhum vinho intocado

Mas os tigres vêm à noite
Com suas vozes suaves como trovão
Como eles despedaçam sua esperança
Transformando seus sonhos em vergonha

E ainda sim sonhei que ele veio até mim
E que viveríamos os anos juntos
Mas há sonhos que não podem ser
E há tempestades que não podemos prever

Eu tive um sonho que minha vida seria
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente daquilo que parecia
Agora a vida matou o sonho que sonhei

[ Tradução da música "I dreamed a dream", de autoria de "Los miserables" e que ficou famosa na voz da britânica Susan Boyle.]

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Feito para um outro mundo.



" Eu descobri em mim mesmo desejos os quais nada nesta terra podem satisfazer, a única explicação lógica é que eu fui feito para um outro mundo. " [ C.S. Lewis ]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Mãe, olha um twitter!"


A realidade não está longe disto.












domingo, 20 de fevereiro de 2011

" I'm going back to the start "



"  Nobody said it was easy
   No one ever said it would be this hard
   Oh take me back to the start  "

[ trecho da música "The scientist" da banda Coldplay ]

   Quem nunca sentou-se na beira da cama, com as mãos no colo, olhos sobre passado? Quem  nunca teve vontade de viver "aquilo tudo" outra vez, e sentir-se abraçado novamente por aqueles braços, os mesmos. Fechar os olhos e voltar no tempo sem dar satisfações a ninguém, simplesmente voltar, como se fazem nos sonhos. A saudade aperta, invade o peito e a alma, um sentimento de "quase verdade" sopra, as vezes, mas a realidade é mais dura e firme. Nesta música de "Coldplay", "The scientist", encontramos exatamente a expressão dessa vontade louca de regressar ao passado e reviver "aquilo" novamente. 
   Acho fantástica a letra dessa música e o clipe também é maravilhoso! É verdadeiramente estupendro e fantástico! Ao ouvi-la sinto um misto de "nostalgia, melancolia e alegria".Voltar ao passado pode ser uma experiência dolorosa, mas pode nos servir de inspirarão para o futuro.  Em suma, não é uma experiência para fracos, corações de pedras ou frívolos. É algo para quem no mínimo entende da "poesia do amor e da alma"."  

" I'm going back to the start "
  


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain.

         


              "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain" é um filme francês dirigido por Jean-Pierre Jeunet em 2001. Falar deste filme é realmente uma tarefa difícil e ao mesmo tempo fácil. Fácil porque Amélie Poulain é uma pessoa que decide desfrutar dos pequenos prazeres da vida, " Como colocar a mão dentro de um saco de feijão ou jogar pedrinhas no rio...". O ser humano busca a felicidade em coisas tão complexas e se esquece de que a vida pode e foi feita também para ser sentida, degustada e ouvida através de coisas muito simples, aparentemente. Amélie Poulain é essa pessoa, essa "terrorista poética", que com ações tão simples, "Ela pode mudar a sua vida."
            Assisti esse filme já faz algum tempo e admiro-me que não tenha falado dele aqui, ainda. É verdadeiramente um filme fantástico e espetacular. Não é "Jurassic Park" e tão pouco "Avatar", não possui extra-terrestres invadindo a terra e tão pouco alguém que venha do futuro. "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain" é simplesmente um filme do cotidiano, um filme mágico que trata da mágica da vida, dos seus enlaces e vivências diárias. É um daqueles que filmes que você não se cansa de ver, é uma obra de arte, é poesia, é encantamento para as almas sensíveis e salvação para as perdidas. 
                As cores, os cenários, o figuro e sobretudo, a trilha sonora são ingredientes  que fornecem ao filme uma singularidade e beleza sem tamanho. Não há como não querer deitar-se sobre o colo do amado e ouvir eternamente "La valse d'Amélie"..... Deitar até que o tempo deixe de ser tempo sobre os  braços do seu "Nino".... 

Estes são os links no youtube para a trilha sonora de "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain":





" Ela pode mudar a sua vida"






terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os dias que virão.





Os dias têm vindo.
Têm ido.
Virão.
Alguns, os sinto.
Outros, nem tanto.
Destes, há aqueles que ignoro.
Há outros que imploro que logo cheguem.

Há dias que saio como ninguém,
A procurar o que me falta nas faces desconhecidas.
Sinto que falta.
O que é isto, talvez não saiba.
Nem deus.
Queria eu que os dias fossem completos,
Que o tempo fosse somente lógica e se desfizesse de suas máscaras e ilusões.

Os dias vêm.
Vão e virão como o inverno.
Mas este também há de acabar.
Há de se chegar a época da sementeira,
Das flores, das cores, do amor.

Há e meu coração anseia, que este dia chegue.
 O dia que matará minhas sombras.
Meus olhos já estarão secos, as lágrimas hão de ir-se.
Se o choro vir, há de ser porque  finalmente...
Finalmente te encontrei e sei que tu não és, apenas
Sonho.

Ó véspera de prodígio




Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é étero num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.



              Natália Correia         



in Sonetos Românticos (1990)
Poesia Completa
Dom Quixote, 2007

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um pouco de Florbela.

     



     Ela é uma de minhas poetisas prediletas. Amo sua poesia, seus versos intensos, profanos e provocadores. Florbela Espanca é verdadeiramente uma mulher a ser sentida pelas almas incompreendidas, a ser cantada pelos seus admiradores, a ser ostentada no altar dos corações apaixonados e aflitos. Os seus poemas são fantásticos, não há como escolher entre eles. No entanto, um dos mais famosos é sem dúvida o poema intitulado, "Amar".


Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: aqui…além…
Mais este e aquele, o outro e toda a gente….
Amar!Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…

Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

[ Florbela Espanca - A mensagem das Violetas ]

     Florbela dispensa palavras e pede coração. Um dos poemas que mais gosto é este:

Mais alto.
Mais alto, sim!mais alto, mais além

Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!

Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível

Turris Eburnea erguida nos espaços,
À rutilante luz dum impossível!é 

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber

O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

[ Charneca em Flor - Poemas de Florbela Espanca ]
     
    Florbela é a poeta dos desgraçados, dos amantes, daqueles que sofrem por amor. O que acha mais incrível a sua petulância, o seu "não medo" de externar seus sentimentos, a sua escolha em sofrer. Florbela realmente intriga poetas, leitores e até mesmo psicólogos. No caso de Florbela, "Froid não explica!". Gosto disso, algumas coisas não foram feitas para ser explicadas e nem compreendidas. Fecho este "post" com o magnífico poema, "Não ser".
Não ser.

Quem me dera voltar à inocência

Das coisas brutas, sãs, inanimadas,
Despir o vão orgulho, a incoerência:
- Mantos rotos de estátuas mutiladas!

Ah! arrancar às carnes laceradas

Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,

De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!

Ser haste, seiva, ramaria inquieta,

Erguer ao sol o coração dos mortos
Na urna de oiro duma flor aberta!…
[ Charneca em Flor - Poemas de Florbela Espanca ]




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"Eu não quero voltar sozinho" [ curta metragem - Perfeito! ]

     


       Cada vez me surpreendo mais e mais! Hoje assisti um "curta metragem" brasileiro e simplesmente me encantei! Fiquei boquiaberto com a beleza dos diálogos, das cenas e com simplicidade e beleza com quem trataram da pequena história de "Léo, Giovana e Gabriel". Faltam-me palavras para descrever o que eu senti ao assistir esta obra de arte. É simplesmente perfeito, lindo, sensível... Faltam realmente expressões na língua portuguesa para descrever esse filme. Se vocês têm um mínimo de sensibilidade, vão amar e se apaixonar por esta histórinha tão singela e ao mesmo tempo recheada de sabores únicos! Desta vez, vou evitar os "spoiler's", não vou contar o que acontece, apenas dizer: "Se você é gay, assista pelo amor de deus!" e "Se você não é gay, também assista pelo amor de deus!"
       Ainda estou impressionado, nunca pensei que um filme assim fosse feito no Brasil. Esse é um momento em que me orgulho de dizer que sou brasileiro, apesar de todos os "pesares".  Parabéns aos produtores, a direção, a quem escreveu o filme e aos atores também, pois mesmo sendo tão jovens, atuaram como mestres! E desta forma, mesmo que aos poucos, vamos mostrando que o Brasil não é só "bbb" e "futebol"! Vamos mostrando que existem pessoas sérias e comprometidas com a arte e com a luta pelos direitos humanos!

Este é o link para assistirem o filme no youtube:



Estou feliz, feliz, feliz!!


domingo, 6 de fevereiro de 2011

O romântico da vez.




Eu disse tudo. Eu tentei de tudo.
Absolutamente.
Tu simplesmente me ignoraste, 
vivias a dizer-me coisas bonitas,
a cantar-me versos nos ouvidos,
a sorrir-me daquele jeito.

Eras tu, a quem eu dedicava minhas noites.
Eras tu quem eu deitava nos meus sonhos.
Era tu, o cavalheiro que eu vivia a gastar versos e sonhos.

Tens razão, eu sou o romântico da vez.
Eu sou quem lê e vive de poesia.
Eu sou este espírito a contemplar coisas complexas,
mas que ama o simples, sonha simples.

Eu te disse. Finalmente disse o que sentia.
Eu abri minha alma a ti e os meus sentimentos.
Tudo o que recebi, foi o teu silêncio.



Grey's Anatomy - ... "chorar, emocionar-se profundamente e dar boas e soltas gargalhadas"




Há algumas semanas comecei a assistir a série americana "Grey's Anatomy". Um amigo foi quem me falou primeiro desta série e quem me convidou para assistir alguns episódios. Eu realmente não a conhecia e isso se dá pelo fato de assistir pouco a TV. Seja como for, comecei a fazer o "download" dos episódios e simplesmente me encantei. Posso dizer que viciei e passei a admirar "Grey's Anatomy". 
O mais impressionante é que a série fala de tudo, trata dos mais diversos assuntos e isso a torna tão singular. Para quem não conhece, trata-se de uma série que traz como personagens principais, inicialmente, um grupo de cinco médicos internos na ala cirúrgica de um hospital renomado em Washington. A personagem principal chama-se Meredith Grey. 
Logo no início, na primeira cena do seriado, Meredith se encontra em sua casa adormecida no chão de sua sala com um cara nu. Este homem é Derek, os dois conheceram-se num bar e acabaram transando. É o primeiro dia Meredith no hospital e ela está atrasada. Então, ela acorda o rapaz e o manda embora. Para a surpresa de Meredith, o homem com quem ela passou aquela noite é Derek Speherd, um famoso neurocirurgião do mesmo hospital em que ela começa a trabalhar. Enfim, a partir disso, vocês podem imaginar o que acontece no hospital e as futuras situações vivenciadas não só por Meredith Grey, mas também pelos seus quatro colegas, George, Cristina, Izzie e Alex. Não cabe aqui que eu me alongue em descrições e lhes revele o que acontece em seguida. Não suporto Spoyler's e espero não os cometer mais aqui! 
Mas eu resolvi falar de "Grey's Anatomy" devido a seu romantism e suas mensagens. A série é em alguns momentos narrada pela própria Meredith e o mais interessante é que ela faz alusões, críticas e desenvolve idéias muito poéticas e interessantes. Meredith é uma garota romântica, mas não faz o tipo "garota melosa", não! É romântica, mas uma romântica inteligente! Não há como não se encantar com seus olhos misteriosos, como clama nosso eterno Dom Casmurro, "Olhos de cigana oblíqua... Olhos de ressaca."
Se os meus genes não me obrigassem a preferir o Dr. McDreamy ( este é o apelido que Meredith e sua amiga Cristina dão para Derek), eu diria que Meredith é uma mulher perfeita. Na verdade, me identifico muito com esta personagem, com seus dramas, com suas idéias. Sou um pouco "Meredith". Sou romântico, melancólico ( às vezes) e tenho uma "safada" ( e azarada) tendência a gostar e me atrair por homens complicados e que mesmo dizendo que me amam, acabam escolhendo pela Addison ( esposa de Derek). 
O que posso dizer é: "Para quem procura uma série que faça chorar, emocionar-se profundamente e ao mesmo tempo dar boas e soltas gargalhadas, Grey's Anatomy é o ideal!"





sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Continuaremos amando, beijando, dançando, sorrindo.



Vocês podem ser muitos, mas nós também não somos poucos.
Vocês podem dizer que têm a razão e não privar-se de insultos.
Vocês  podem ofender e dizer que somos menos.
Não somos.

Vocês podem gritar de raiva porque existimos.
Vocês podem morrer de inveja porque não precisamos de vocês .
Vocês  podem tremer de ira porque não recuamos.

Vocês  podem gritar por deus.
Nós gritamos por nós.
Gritamos pela justiça e pela igualdade.
Isso é Deus.

Vocês  podem tentar de tudo.
Dizer a todos e mentir à si próprios.
Somos os filhos da esperança, os gomos com opinião.
As ovelhas desgarradas? Não. 
Somos as ovelhas coloridas.

Vocês gritam pelo preto e pelo branco. 
Nós ousamos e usamos o verde, o rosa e o bordô.
Vocês dizem "é anormal!"
Nós dizemos "é liberdade!"

Vocês clamam pelos binários.
Nós clamamos pelos múltiplos.
Vocês dizem que têm mais.
Nós vivemos essa injustiça.

Mas não importa.
Já nos queimaram. Já nos perseguiram e ainda o fazem.
Já nos criminalizaram e há quem nos enforque até hoje.
Não importa.

Somos homens e mulheres.
Amamos e desejamos como qualquer outro.
E não desistimos nunca.

É justamente porque não desanimamos,
não deixamos de rir e nem de amar,
não deixamos de dançar...
Nos odeiam por isso.

Porque somos mais fortes.
Porque somos mais homens e mulheres que qualquer outro.
Por que decidimos amar e não dizer "sim, sim, senhor!"

O azar é vosso.
A ira é vossa e tempo perdido também é vosso.
Nós? Continuaremos amando, beijando, dançando, sorrindo.





terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O pó que somos.





Acordar ainda antes do sol.
Sentir o sereno que o céu tece sobre a terra,
Ouvir o dia começar a cantar-se, cheio de graça,
e inocência.

Ter a certeza que se está dentro de tudo isso.
Dentro de lá, de cá, dos montes, da lua,
do sol, dos pássaros,
Como uma grande sinfonia, onde cada nota,
cada som, é essencial.

Ver a noite sumir, a luz tomar conta de tudo,
o verde deixar de ser negro, o azul tomar conta de todas as almas.
Há almas não azuis, é verdade.
Há almas verdes, encarnadas e até mesmo, 
negras. 

Há os que amam. Há os que nem tanto.
Há os que odeiam. Todos talvez, um dia odiaram.
Mas não sempre. 

Não importa. O sol brilha,
a chuva cai, as estrelas cobrem,
a borboleta vê e o pássaro foge,
para todos, de todos. 
Justiça, duvido às vezes.
Mas, só às vezes.

Há quem diga, que do pó e para o pó,
todos vieram e caminharão para tal.
A diferença consiste no modo como você vê,
vê o mundo, as cores, as almas.
Para muitos, ser e não ser pó não diz nada.
Para outros, diz tudo.
Para poucos, é alguma coisa. 

O pó que revive, que canta, que foge das narinas,
de todos.