Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O primeiro amado.



É engraçado,
chega a ser cômico.
Conversar com você é sempre...
sempre palpitante,
estranho,
mas eu gosto.
Me sinto transportado para a nossa pueril,
inocente e querida adolescência,
nos anos em que,
ainda recém garotos,
meniniços como o tempo nos queria,
passeávamos pelo bosque,
procurando a melhor sombra,
a melhor árvore que nos cobrisse,
que nos escondesse dos olhos dos outros.
E assim,
por horas,
nos entregávamos um ao outro,
entregávamos nossos braços,
rolávamos um sobre o outro,
a sentir em cada dorso,
as mãos ainda leves de dois garotos.
Sem grande receio,
sem grandes expectativas,
dividíamos beijos,
trocávamos carinho,
e as conversas eram longas e sem preocupações.
Foi um verão divertido,
quente,
dias cheios de sorrisos,
de doçura.
E hoje, quando ainda falamos,
separados pelo tempo,
mas também pela distancia do atlântico,
ainda parecemos próximos,
é como se voltássemos a ser aqueles dois de outrora,
cheios de sorrisos contidos,
mas soltos,
e embora com os pudores impostos pelo tempo,
ainda somos aqueles,
que lançam ao ar seus algozes compromissos,
e voltamos para debaixo do eucalipto,
que canta-nos s aos ouvidos,
coisas que só o vento diz,
e que se antes julgávamos adultos,
hoje,
saudamos aqueles dias adolescentes.

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