Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Il divo - Hallelujah ( Aleluya)

Essa é para quem gosta de chorar ouvindo música. Estou pasmo com a beleza destes homens, com a beleza de suas vozes, encantador!




'' ... Porque La Norma Sea El Amor 
Y No Gobierne La Corrupción 
Sino Lo Bueno Y Lo Mejor Del Alma Pura 
Porque Dios Nos Proteja De Un Mal Final
Porque Un Dia Podamos Escarmentar 
Porque Acaben Con Tanta Furia 
Aleluya
     Aleluya ...''

domingo, 27 de novembro de 2011

A Caverna.

Castelo negro erguido na escuridão,
luz suplantada em pranto,
face soerguida e estrelas,
claridade,
saudade calada,
resignada no peito,
compreender o incompreensível
ou fechar-se em manto-solidão.
Conversar com as sombras,
palavras que só chegam no coração,
ficam nele,
órbita concisa e torta,
beleza esquecida,
lua abstrata,
sábia palidez
aponta para o céu.
Me calo.
Aperto-me em meus braços,
me calo.
Fico aqui, quieto,
sentindo,
em mim,
mas não só.
A Caverna,
sem fantasmas,
somente escuro,
olhos que vêem,
esperam uma luz,
que tarda,
mas viva.

sábado, 26 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Os meus versos - Florbela Espanca

Leste os meus versos? Leste? E adivinhaste
O encanto supremo que os ditou?
Acaso, quando os leste, imaginaste
Que era o teu esse olhar que os inspirou?
Adivinhaste? Eu não posso acreditar
Que adivinhasses, vês? E até, sorrindo.
Tu disseste para ti: “Por um olhar
Somente, embora fosse assim tão lindo,
Ficar amando um homem!… Que loucura!”
- Pois foi o teu olhar; a noite escura,
- (Eu só a ti digo, e muito a medo…)
Que inspirou esses versos! Teu olhar
Que eu trago dentro d’alma a soluçar!
………………………………………………….
Aí não descubras nunca o meu segredo!

Florbela Espanca, O livro D'ele. 

sábado, 19 de novembro de 2011

Futuro


Não sei eu o que quer a vida,
não sei o que quer de mim.
Busco teoremas,
consolos,
e consolo é qualquer
música que entenda a minha dor.
Não há manhã que acorde e não pense em ti.
Olhando agora, assim sozinho,
vejo que foi tudo tão rápido,
fiquei com tanto para dar,
fiquei com tudo por dizer,
palavras não me saíram.
Uma despedida sem despedir-se.
Consolo é pensar em futuro,
esperança.
Terei eu a chance de dizer meu coração?
De dizer, sentir e ter, sem prazos,
sem medo de datas,
um calendário-novo
que não conte os dias,
faça-nos esquecer do tempo,
pensar que somos mesmo eternos.
Passearmos sobre a primavera,
com guarda-sóis coloridos,
espreitarmos o rio e deitarmos sobre a beira dele,
pensar-se sempre jovem e belo,
 sorriso,
mel que nunca acaba,
Pensar-se, esquecer-se,
 perder-se em plurais,
em nós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

Um corvo.



Uma noite fria e de muitas estrelas,
com  muito vento a balançar minhas roupas,
onde do alto,
no ponto mais alto da cidade,
vejo de longe o nosso lugar,
onde eu melhor te conheci,
te senti,
onde melhor fomos nossos
e dividimos o que de melhor tínhamos.
Há tanta saudade em meu coração
e tanta melancolia em meus gestos,
Partiste e me deixaste uma cidade de lembranças,
onde cada esquina e cada fim de tarde eu te encontro,
a me espreitar com aquele sorriso fácil que é só teu.
Me deixaste uma cidade inteira de lembranças,
como queres que eu esqueça ou que amenize esta dor,
esta ausência?
De ti, hoje, só me chega o silêncio.
Restam-me as ruas, as esquinas, os prédios e as noites,
sou hoje como um corvo saudoso
a gralhar solidão.

Mapa Mundi - Tiê



Me escreva uma carta sem remetente:
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor?
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto o que será do nosso amor?
Ah! se eu pudesse voltar atrás
Ah! se eu pudesse voltar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Tesoura.

Há pranto preso na minha garganta.
Estás agora tão distante.
Pra quem eu vou correr e pedir colo?
Quem eu abraço agora que me sinto tão sozinho?
Quem vai me abraçar, afagar meus cabelos,
secar meu rosto
e dizer que 'tudo vai ficar bem', quem?
Quem?
Tenho medo de esquecer o teu cheiro,
cruel é a tesoura do destino,
que corta,
corta tudo,todos,
coração.

domingo, 6 de novembro de 2011

Pérolas.



Às vezes, eu me sinto como a criatura mais triste,
a mais só,
Sinto-me como se fosse o único a reparar na fumaça do mundo,
o único que se perde em charcos de chumbo,
Sinto-me como se o mundo inteiro não fosse o meu lugar,
e na esperança de um colo ou de uma relva sozinha e quente,
onde possa eu deitar e chorar sem ser visto,
escrevo.
Escrevo e crio mundos que não existem senão dentro da minha cabeça
e dos meus sonhos,
mas nem por isso deixam de existir,
mundos que surgem  de dentro da imaginação prodigiosa da minha alma,
imaginação que me salva do silêncio mortal que tem a solidão.


Há dias que acordo crente de que sou o mais desgraçado dos seres,
aquele que transita entre o mel dos sorrisos flamejantes de Afrodite
ao sono mortal e quieto-em-tudo de Morpheu.

Mas aprendi que é na tristeza e no silêncio,
que se fundam muitos reinos de água-vida,
sentimento.
A dor há de ser uma semente,
de sofrimento,
mas sobretudo de luz.
Uma semente daquelas que se jogadas em terras vibrantes,
produzem catástrofes seculares de luz-epifania,
de esclarecimento,
de silêncio-calma e compreensão,
de poesia e de coisas profundas e silenciosamente sábias e lúcidas em sonhos,
devaneios,
verdades esquecidas.

Hoje sou como um mar em tempestade,
repleto em naufrágios,
barulhento em sua quietude-lampejante,
Sofro, morro de saudades,
e a chuva e as lágrimas me fogem dos olhos sem piedade,
lagos e lagoas que se perdem em peixes-ciclos,
a fugir para um mar de turbulência-turva,
águas que não são escuras,
oráculo,
mistério de deuses,
Moiras esquecidas.

Mas em tardes de sorte,
quando ouço o forte tilintar sonoro-músico da trombeta de Gabriel,
no céu,
todas as tempestades
são engolidas por raios de sol e por uma chuva fina e doce,
por palavras quentes e amigas, pelo silêncio das línguas cansadas,
que tudo diz sem dizer absolutamente nada,
que se lança sobre tudo, acalmando, diluindo o furor.
É quando me dou conta,
que o mundo é mesmo um mar de tormentas,
e a felicidade nada é senão,
os momentos raros de calmaria,
estiagem em ternura, candura que passa,
mas sobrevive no paladar da lembrança.
Assim, dou-me conta ainda,
que cedo e tarde,
todos naufragam,
a diferença consiste na consciência que se tem disso,
uns são levados pelo mar e nem mesmo sabem que o são,
outros,
tão habituados à luz dançante artificial dos salões
mediocremente vaidosos
erguidos em faróis perdido sobre auto-mar,
morrem no primeiro mergulho,
morrem porque não sabem que podem respirar,
oxigênio-luz,
candeia acesa em buraco negro.

Disse qualquer sábio na orla da praia mais esquecida do mundo:
'Ostra feliz não faz pérola'
Completo,
'Ostra, para fazer pérola, tem de ter um grão de areia dentro de si,
um grão que a faça estrebuchar no pranto e contorcer-se na labuta sozinha da noite fria e só.'

Arte e poesia,
sem dor não são.
Luz sem escuridão,
é pobre vaga-lume ao meio dia.
Órion quem seria sem escorpião?

E eis que o mundo é isso mesmo,
obscuro nas aparências,
claro demais em sua essência,
Luz que ofusca,
mete medo,
ilumina.
Chorando ou não, todos choram.
Ausência é só o que há.
A morte não trás mais medo,
foi engavetada.
O mar continua a caminhar com suas águas,
a bater suas ondas nas rochas firmes,
escorregadias,
ora a sorrir,
ora a gritar,
Pérolas não se encontram em qualquer rocha,
nem descanso em qualquer praia quieta.

Cala-se a trombeta.





"A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! Ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura! "


sábado, 5 de novembro de 2011

Christopher and His Kind - Filme

     "Christopher and his Kind", um filme fascinante.