Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 31 de dezembro de 2011

Segue o Teu Destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

You are my sunshine.

Inesquecível na voz de Johnny Cash.




'' The other night, dear, as i lay sleeping
I dreamed i held you in my arms
When i awoke, dear, i was mistaken
So i hung my head and cried...

You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much i love you
Please don't take my sunshine away... ''



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sogno - Patty Pravo

'' Os amores impossíveis não acabam nunca. São aqueles que duram para sempre.''


Uma bela canção que faz parte da trilha sonora do filme italiano '' Mine vaganti'', dirigido por  Ferzan Ozpetek. Em português o filme chama-se '' O primeiro que disse''.



domingo, 25 de dezembro de 2011

Soneto da Separação/ Bom dia, Tristeza / Olhos nos olhos


''
Se chegue, tristeza
Se sente comigo ...
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar ''

Composição: Vinícius de Moraes ( muito famosa na voz de Maysa).


Soneto da separação
Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Olhos nos olhos 
 Chico Buarque.
''
Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos... ''

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Idolatrando a dúvida.



Este 'poema' declamado por Abujamra é, na verdade, um pequeno trecho retirado do livro 'Cartas a um jovem poeta', do escritor alemão Rainer Maria Rilke. 

Só Shakespeare salva.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Viver a dúvida.

Me encantaste,
Tanto e nem imaginas,
Não imaginas quantas noites eu gasto a pensar em ti,
a lembrar,
a tentar sentir novamente o teu cheiro,
sentir novamente aquela sensação de quando me apertavas contra teu peito
e eu me sentia teu, me sentia protegido e amado,
esquecia-me do mundo, do passado e do futuro,
Esquecia-me de tudo porque estava contigo.
Tu te perdeste,
E te perdes todos os dias na minha saudade,
Eu te perco,
Eu me perco tentando encontrar-te,
perco-me a tentar dar vida material para o que são agora só lembranças.
Oh, se imaginasses o quanto eu choro,
O quanto eu rogo para que o futuro não seja mal,
O quanto eu quero que tenhamos sorte,
Que eu tenha sorte e possa te ter novamente...
Eu não consigo olhar para os outros homens,
em todos eles eu te procuro,
E se algum deles me lança um olhar,
eu quero que sejam os teus olhos castanhos e lindos
a mirarem meu rosto melancólico,
se um deles se aproxima,
quero que seja tu a me tocar, me puxar para ti,
dizer que tudo acabou, que vamos ficar juntos,
Que me amas,
apenas tiveste medo de o dizer,
como eu tive.
Eu não posso amar outro,
não seria amor,
eu viveria de comparações,
tentaria fitar os teus olhos
mas eles já não seriam os teus.
Perco-me,
prefiro assim, perder-me mesmo nos desertos das minhas lágrimas,
lágrimas abstratas, ou não,
Prefiro ficar aqui,
pensando, lembrando e sonhando com a minha metafísica...
Sozinho e de negro, em alma,
decido assim,
pelo menos por enquanto,
perder-me,
perder-me na dúvida,
no ''não dito'', no obscuro.
É, dá-me margem para fechar os olhos
e chorar com saudade boa,
com o coração aberto,
acreditando.
Passo a idolatrar as minhas dúvidas,
vivê-las,
torná-las parte de mim.
Tenho medo das respostas,
medo de não de poder vivê-las.

Thinking of You






'' Comparisons are easily done
Once you've had a taste of perfection
Like an apple hanging from a tree
I picked the ripest one
I still got the seed 
...


Oh I wish that I
Was looking into your...


Your eyes
Looking into your eyes
Looking into your eyes
Oh won't you walk through
And bust in the door and
Take me away
Oh no more mistakes
Cause in your eyes I'd like to stay
Stay...   ''

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Norte.

Face estampada todos os dias,
exaustivamente na abóbada do meu templo,
meu templo ornado com os lírios mais belos e raros,
cheio de luz e recluso,
só meu de lembrança,
onde deito para chorar e ter certeza  de que não estás.
Tua face colada na abóbada dos meus olhos,
para onde quer que eu olhe, eu vejo-te.
Vejo-te,
não mais com a presença calorosa de antes
que me amava e fazia-me crer nas belezas do mundo,
Me apareces agora como uma estrela polar,
distante e perdida no céu,
a cantar saudades e dizer que é sempre frio aqui no Norte.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

This is the sound of my soul...

True,  Spandau Ballet. 





''... This is the sound of my soul,
this is the sound

(...)
I bought a ticket to the world,
but now I've come back again
Why do I find it hard to write the next line
Oh I want the truth to be said

(...) 

I know this much is true...'''



Ideia velha.

É novamente aquela sensação obscura,
medo, no fundo medo, de qualquer coisa desconhecida,
algo que se perde e foge das mãos,
medo daquilo que não pode ser controlado,
quimera pensada tantas vezes em dias e pessoas,
ilusão mergulhada em um aquário sem fim,
sonho que sempre voa,
dispersa-se.... Ideia velha.
Sim, tu te chamas Futuro.
E quero agarrar-te, morder-te,
tornar-te meu, modelar-te na minha vontade,
ser o seu dono e não tu o meu cárcere.
É inútil,
tudo inútil,
sonhos e pesadelos.
Eu preciso mesmo é de uma inevitável injeção de Presente.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Minha poesia.


Deitar-me sobre minha cama fria
é mergulhar inevitavelmente em lembrança
Esta que me trás tanto conforto
mas, que me veste de roxo,
de melancolia e saudade. 
Canso-me de ver o teu rosto
estampado em uma tela achatada,
de luz sem vida e mentirosa,
quero tocar-te
e já não posso.
Me dou conta  de que a distância pode ser mais que estar longe,
pode mesmo distanciar, 
pode trazer para terras antes felizes,
uma tempestade  de nuvens, sem chuva.
Eu lamento e perco-me nos nevoeiros da minha alma. 
Eu entendo, no fundo, eu sempre entendo.
Mas é que tenho medo, medo de voar por aí, sempre sozinho.
Tu tens o teu caminho, seguiste, 
seguirei o meu, com pedras e lírios...
Se quiser a linha das Moiras que nos encontremos mais uma vez,
há de ser tão belo como dantes, acredito,
desprovido de maldades, somente sonhos e canções delicadas,
E quem sabe, tenhamos sorte e caminharemos mais tempo juntos sobre o tempo.
Eu sigo,
caminho sim o meu caminho,
mas, ora ou outra, hei de olhar rapidinho para trás,
de modo a ver se também vens,
é, se vens,
se depois de ires por aí e por lá,
vens descansar em meu colo,
 ouvir um pouquinho da minha poesia, 
do meu amor. 





sábado, 3 de dezembro de 2011

É o amor - Maria Bethânia

Algumas coisas na vida têm mesmo de ser bregas.
Ah, quê canção não fica linda na voz desta mulher? 





'' ...Eu sou o seu apaixonado
De alma transparente,
Um louco alucinado,
Meio inconsequente,
Um caso complicado de se entender...''


Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.


Sophia de Melo Breyner Andresen.