Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Minha poesia.


Deitar-me sobre minha cama fria
é mergulhar inevitavelmente em lembrança
Esta que me trás tanto conforto
mas, que me veste de roxo,
de melancolia e saudade. 
Canso-me de ver o teu rosto
estampado em uma tela achatada,
de luz sem vida e mentirosa,
quero tocar-te
e já não posso.
Me dou conta  de que a distância pode ser mais que estar longe,
pode mesmo distanciar, 
pode trazer para terras antes felizes,
uma tempestade  de nuvens, sem chuva.
Eu lamento e perco-me nos nevoeiros da minha alma. 
Eu entendo, no fundo, eu sempre entendo.
Mas é que tenho medo, medo de voar por aí, sempre sozinho.
Tu tens o teu caminho, seguiste, 
seguirei o meu, com pedras e lírios...
Se quiser a linha das Moiras que nos encontremos mais uma vez,
há de ser tão belo como dantes, acredito,
desprovido de maldades, somente sonhos e canções delicadas,
E quem sabe, tenhamos sorte e caminharemos mais tempo juntos sobre o tempo.
Eu sigo,
caminho sim o meu caminho,
mas, ora ou outra, hei de olhar rapidinho para trás,
de modo a ver se também vens,
é, se vens,
se depois de ires por aí e por lá,
vens descansar em meu colo,
 ouvir um pouquinho da minha poesia, 
do meu amor. 





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