Orpheus, de Franz Stuck

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sonho de cada dia.



Sentiu-se leve
e assim,
 «levado»
pelo embalo dos sons da madrugada
foi deitar-se
com a cabeça cheia de sonhos
e vontades...

Sonhou que tudo era leve
e que podia girar como giram os bailarinos
sem se machucar.
 Girou, girou
e despiu-se de tudo,
do medo
da ansiedade
e da Saudade,
sonhou que o mundo era pequeno,
que o longe é já aqui
e que o Tempo é sempre muito.

Rodopiou-se,
girou-se
entre os sentimentos,
bagunçou alguns,
trocou-os de lugar,
perdeu-os...

Ah,
se a vida tivesse asas
e este gosto fácil
de sonho,
ele não teria de dormir
para sonhar dias felizes!


Redoma - Filipe Catto



sábado, 19 de janeiro de 2013

Númenna


Númenna - Into the West - é um poema escrito por Tolkien numa das línguas que ele próprio inventou, o Quenya. Na mitologia de Tolkien, esta é uma língua falada pelos ''altos-elfos'', pertencentes às casas de Noldor e Vanyar, aqueles que alcançaram Valinor, uma espécie de ''paraíso'', um grande Vale localizado no extremo Oeste da Terra-Média, morada dos Valar, que são os deuses que construíram e edificaram o mundo. Maiores informações sobre isso podem ser encontradas no livro póstumo de Tolkien, ''O Silmarillion''.  A partir do Quenya surgiram todas as outras línguas faladas por homens, hobbits, anões e outros seres que vivem na Terra-Média. Dessa forma, o Quenya pode ser comparado ao Latim Clássico, do qual derivaram as atuais línguas latinas faladas no Ocidente. Enfim, sou completamente apaixonado pela obra de Tolkien, a baixo têm o poema musicado e cantado em Quenya....



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

a última nuvem roxa.


lá se vai a última nuvem roxa
-a desgarrada, que no céu anda perdida-,
hoje, o senhor não quer lágrimas sobre esta terra.

voa sem pressa para trás de um monte
-a delicada-,
onde possa dar vez ao choro
sem sentir vergonha.

e se a pobre nuvem roxa
olha para terra com medo,
contendo-se,
eu largo os meus olhos soltos no céu
para que minhas lágrimas não caiam sobre chão.

Noite soluçante.


ave preta que poisou na minha janela,
ouves a noite a soluçar?
Ela é tão triste,
suas lágrimas são grossas,
como as de uma noiva abandonada no altar...

ouves, querida ave?
Tu que voas o dia todo
pelos campos e pelas colinas,
plantando e colhendo versos...
E à noite,
quando Apolo esconde sua cabeleira
loira por detrás dos montes,
voas para mim,
grasnando,
trazendo-me pequenos e
delicados versos,
botões de violeta
que escondo nos bolsos...

ah, mas de quê adiantam os versos
Se  não dão vida ao meu pálido coração
nem matam a tua negra solidão?


a Noite continuará soluçante...