Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 22 de junho de 2015

DOS TEUS OLHOS

dos teus olhos
verdes indecifráveis
eu vejo o Mar

aquele que um dia atravessei,
o Mar das lúbricas vagas sobre o qual voei
mesmo sendo eu alguém com tão parcas asas,
o Ícaro de Floripa

mas eu vejo,
dos teus olhos eu vejo o Mar
que me levou ao meu destino, o caminho de cicutas,
Portugal de belas colinas e longos prados,
rapaz bonito, feito de terra e nuvem, por mim amado
até o último segundo

eles, os teus olhos, guri, trazem-me
um pouco
do que lá deixei,
um pedaço do meu corpo perdido
como anel no fundo do Mondego, um amor vivo
por acontecer,
uma flor roxa de mágoa,
uma estrela-marinha, uma pedra gigante,
uma saudade. o entardecer

dos teus olhos, carinho,
eu vejo,
vejo
o Mar

e vou de novo, devagarinho,
como quem dança,

a navegar, a navegar...

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