para ti, pequeno,
meus versos
meus olhos
meu corpo
minha vontade
o sonho de amplidão
coração
vastidão do (a)mar.
domingo, 28 de janeiro de 2018
domingo, 26 de novembro de 2017
meteoros
meteoros atingem a Terra todos os dias
como mariposas que ousam entrar no abajur
seduzidas pela luz, pelo calor
meteoros no entanto
adentam a atmosfera terrestre
para se esfriar, já que eles são consciências
ardentes em busca de tranquilidade
meteoros rasgam o céu sem pena
dilacerando nuvens brancas que sonham em ser chuva
amanhã
meteoros surgem na noite da Sibéria
e encantam um menino pastor
que sonha sem precisar da internet
meteoros buscam o conforto
da terra fria de nosso planeta
que os ajudam a encontrar equilíbrio
meteoros não servem para nada
caem na terra, fazem estrondo
e iluminam inutilmente as noites mais silenciosas
meteoros só servem talvez
para mim
que queria escrever um poema sem saber sobre o quê
meteoros são as palavras no cérebro de um poeta
que sonha em ser lúcido em um tempo sem lucidez
que se diverte imitando Rimbaud, Lorca e Pessoa,
meteoros que também caíram na Terra.
NAVEGANDO
navegando, navegando
mar à frente
enquanto pelo meu corpo
o sabonete de camomila faz um desenho de espuma
e a luz do basculante é o sol gigante
de novembro
a anunciar o verão rompante
e espetacular de todos os seres
navegando, navegando
uma garça à beira-mar
poisada contempladora do futuro
a sonhar o amanhã luminoso
em que teus dedos
brinquem a desenhar nuvens
nas ondas do mar
que são as espumas a escorrer com delicadeza
por minhas costas
navegando, navegando
para casa
para dentro
cruzando os céus
como pássaros migratórios
que não se perdem
navegando, navegando
dentro de nós mesmos
dos nossos olhos aquosos
que são oceanos de luz e vida
onde vivem as mais belas
medusas do pacífico
navegando, navegando
para uma manhã de abril
nossa cama e nossos lençóis
brancos
como a paz mais profunda
e verdeira que nos pode assaltar
navegando, navegando
enfim nossos pés que se encontram
e se roçam
desenhando um coração
a forma dum antigo lago de sal
invadido pelo derretimento
criativo das geleiras e refeito
de mar e amar
não há mal que não traga um bem
não há barco ou garça que não encontre
um porto, um cais, o sol.
C. Berndt
26/11/2017
mar à frente
enquanto pelo meu corpo
o sabonete de camomila faz um desenho de espuma
e a luz do basculante é o sol gigante
de novembro
a anunciar o verão rompante
e espetacular de todos os seres
navegando, navegando
uma garça à beira-mar
poisada contempladora do futuro
a sonhar o amanhã luminoso
em que teus dedos
brinquem a desenhar nuvens
nas ondas do mar
que são as espumas a escorrer com delicadeza
por minhas costas
navegando, navegando
para casa
para dentro
cruzando os céus
como pássaros migratórios
que não se perdem
navegando, navegando
dentro de nós mesmos
dos nossos olhos aquosos
que são oceanos de luz e vida
onde vivem as mais belas
medusas do pacífico
navegando, navegando
para uma manhã de abril
nossa cama e nossos lençóis
brancos
como a paz mais profunda
e verdeira que nos pode assaltar
navegando, navegando
enfim nossos pés que se encontram
e se roçam
desenhando um coração
a forma dum antigo lago de sal
invadido pelo derretimento
criativo das geleiras e refeito
de mar e amar
não há mal que não traga um bem
não há barco ou garça que não encontre
um porto, um cais, o sol.
C. Berndt
26/11/2017
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
SOL E NETUNO
disse-me a astróloga de voz doce
e suave
que nesta semana há um encontro fluente
entre o Sol e o planeta Netuno
ou seja
anuncia-se
soturno
verdadeiro convite no céu
para exercícios aquáticos de autognose
livre e demorada navegação
mergulhos convictos nas profundezas
mais fundas do nosso espírito
e lá
no que há de caos e de sossego
aprender algo sobre nós mesmos
sobre o mar que somos
e o amar de que tanto precisamos
e desse mar de Adasmatores
de movimentos involuntários, dores e amores
saibamos então ser o timoneiro
que flutua lúcido
que atravessa o bojador
com calma e paciência
e sabe a hora exata de regressar e de chegar
à esta finisterra
América fugaz e etérea
interno, individual e fecundo
Novo Mundo
quando voltares à superfície
os raios agressivos dos olhos de Apolo
iluminarão teu rosto
e o corpo de Netuno
agora redescoberto (por ti)
tomará finalmente tua mente
rompendo todo o azul placentário:
já podes flutuar sobre as águas como Cristo
a mão que te toca é a de João Batista
ninguém pode ir ao céu se não
nascer de novo
da água e do espírito.
C. Berndt
30/10/2017
e suave
que nesta semana há um encontro fluente
entre o Sol e o planeta Netuno
ou seja
anuncia-se
soturno
verdadeiro convite no céu
para exercícios aquáticos de autognose
livre e demorada navegação
mergulhos convictos nas profundezas
mais fundas do nosso espírito
e lá
no que há de caos e de sossego
aprender algo sobre nós mesmos
sobre o mar que somos
e o amar de que tanto precisamos
e desse mar de Adasmatores
de movimentos involuntários, dores e amores
saibamos então ser o timoneiro
que flutua lúcido
que atravessa o bojador
com calma e paciência
e sabe a hora exata de regressar e de chegar
à esta finisterra
América fugaz e etérea
interno, individual e fecundo
Novo Mundo
quando voltares à superfície
os raios agressivos dos olhos de Apolo
iluminarão teu rosto
e o corpo de Netuno
agora redescoberto (por ti)
tomará finalmente tua mente
rompendo todo o azul placentário:
já podes flutuar sobre as águas como Cristo
a mão que te toca é a de João Batista
ninguém pode ir ao céu se não
nascer de novo
da água e do espírito.
C. Berndt
30/10/2017
terça-feira, 26 de setembro de 2017
dum domingo.
para ti, pequeno.
domingo
essa melancolia exposta
transposta
nossa
que coça
roça
o corpo
a mente
passa pelas costas
chega morna aos pés
que sentem falta de outros pés
os teus, querido
neste domingo frio
em que bebo chá
escrevo
penso na vida
e me curo de um resfriado
amanhã volto, amanhã
regresso para casa
e para ti
a felicidade tocará então meu rosto
minha alma
ao te sentir comigo
mas o que seria, diz-me,
o que seria, amigo
da alegria
do prazer
do sorriso
da nossa epiderme a se arrepiar
sem esses domingos mornos
de suave melancolia
em que a gente suspira
e se atreve
a escrever versos
uma qualquer poesia...
pensando bem
esqueça essas palavras todas, esqueça
este sal
este mal
vem ouvir comigo
a Gal
já que hoje é só um dia de domingo...
**
C. Berndt
domingo
essa melancolia exposta
transposta
nossa
que coça
roça
o corpo
a mente
passa pelas costas
chega morna aos pés
que sentem falta de outros pés
os teus, querido
neste domingo frio
em que bebo chá
escrevo
penso na vida
e me curo de um resfriado
amanhã volto, amanhã
regresso para casa
e para ti
a felicidade tocará então meu rosto
minha alma
ao te sentir comigo
mas o que seria, diz-me,
o que seria, amigo
da alegria
do prazer
do sorriso
da nossa epiderme a se arrepiar
sem esses domingos mornos
de suave melancolia
em que a gente suspira
e se atreve
a escrever versos
uma qualquer poesia...
pensando bem
esqueça essas palavras todas, esqueça
este sal
este mal
vem ouvir comigo
a Gal
já que hoje é só um dia de domingo...
**
C. Berndt
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
20/09/2017
querer dizer
dizer, traduzir
em palavra de poeta
em linha
em verso
o que dentro da alma palpita
é por vezes impossível
é coisa que não sai, por mais que tudo cheire a poesia
é ver diante o sol e não sentir seu calor na pele
ou ir ao mar e não molhar ao menos os pés
então
o poeta adia
o sono e a hora de deitar
mesmo sabendo que sentirá falta desses minutos na cama
quando acordar
para poder escrever
poder dizer
a dor que sente quando não consegue
dar vida e materialidade ao que a pele já sentiu
então ativa-se a memória
e ele tenta lembrar das coisas boas
e também tristes
que merecem ser contadas num poema
um poema que valha a pena
que dê algo ao leitor
um suspiro, um minuto de alívio,
de redenção ou de indignação
uma dor
a certeza de que há em todas as esquinas
de nossas vidas
algum amor
a despeito de todas as guerras
é de amor que o poeta quer falar
também
do amor que sente por um rapaz
do amor que sente pela mãe ou pela sobrinha
do amor que julga ser o norte desse mundo
e que ainda é esquecido, por ora
do amor que se avizinha no horizonte
afinal
o primeiro minuto da madrugada de agora
prenuncia já a manhã clara
a manhã clara
lúcida
brilhante
terna e macia
aos nossos olhos e corpos
em que o poeta despertará de seu sono
em paz
com a sensação fugaz
de ter sonhado e não escrito essas palavras.
**
C. Berndt
dizer, traduzir
em palavra de poeta
em linha
em verso
o que dentro da alma palpita
é por vezes impossível
é coisa que não sai, por mais que tudo cheire a poesia
é ver diante o sol e não sentir seu calor na pele
ou ir ao mar e não molhar ao menos os pés
então
o poeta adia
o sono e a hora de deitar
mesmo sabendo que sentirá falta desses minutos na cama
quando acordar
para poder escrever
poder dizer
a dor que sente quando não consegue
dar vida e materialidade ao que a pele já sentiu
então ativa-se a memória
e ele tenta lembrar das coisas boas
e também tristes
que merecem ser contadas num poema
um poema que valha a pena
que dê algo ao leitor
um suspiro, um minuto de alívio,
de redenção ou de indignação
uma dor
a certeza de que há em todas as esquinas
de nossas vidas
algum amor
a despeito de todas as guerras
é de amor que o poeta quer falar
também
do amor que sente por um rapaz
do amor que sente pela mãe ou pela sobrinha
do amor que julga ser o norte desse mundo
e que ainda é esquecido, por ora
do amor que se avizinha no horizonte
afinal
o primeiro minuto da madrugada de agora
prenuncia já a manhã clara
a manhã clara
lúcida
brilhante
terna e macia
aos nossos olhos e corpos
em que o poeta despertará de seu sono
em paz
com a sensação fugaz
de ter sonhado e não escrito essas palavras.
**
C. Berndt
sexta-feira, 21 de julho de 2017
''A vontade de escrever vem de um desejo de reformular a realidade, a realidade em que se vive.'' - J.K. Rowling.
Imagem do livro Harry Potter: The Creature Vault, disponível no link: http://designontherocks.blog.br/livro-revela-artes-conceituais-de-criaturas-de-harry-potter/
domingo, 21 de maio de 2017
poema.
a folha em branco
me é um desafio
porque quero preenchê-la
fraturá-la
com minhas palavras
drásticas
dessacralizar o seu branco plácido
e virgem
manchá-la
acariciá-la com minha pele
sôfrega
arrancar de seu corpo branco gemidos brandos
e libertadores
só gozaremos
- o papel e eu -
quando enfim nascer
maldito
ou bendito
um poema
ainda que torto, roto, torpe
sem sorte
poema a falar da dor e da morte
de fazer assim um poema
sem tema
que pena
estragado estratagema
ovo sem gema
deixa, deixa
eu sair de casa
sobre o papel uma apostema
que queima, queima
veja a rua, a chuva já foi embora
sem teima
saiamos de casa
vamos, pois, ao cinema!
me é um desafio
porque quero preenchê-la
fraturá-la
com minhas palavras
drásticas
dessacralizar o seu branco plácido
e virgem
manchá-la
acariciá-la com minha pele
sôfrega
arrancar de seu corpo branco gemidos brandos
e libertadores
só gozaremos
- o papel e eu -
quando enfim nascer
maldito
ou bendito
um poema
ainda que torto, roto, torpe
sem sorte
poema a falar da dor e da morte
de fazer assim um poema
sem tema
que pena
estragado estratagema
ovo sem gema
deixa, deixa
eu sair de casa
sobre o papel uma apostema
que queima, queima
veja a rua, a chuva já foi embora
sem teima
saiamos de casa
vamos, pois, ao cinema!
sábado, 20 de maio de 2017
06/05/2017
Quando estiveres em tua sacada,
Ouvindo a noite, como dizes,
Quem sabe me ouças no vento
Ou no pio de alívio de uma coruja ouriçada
sejas capaz de ouvir meus gemidos quentes e incompreensíveis.
Talvez tu encontres o caminho da minha boca
no sereno das duas horas, as horas ocas,
uma gota grossa de chuva
a escorrer pelo beirado e a tocar ansiosa tua nuca.
Quem sabe, quem sabe,
No fim desta madrugada que morre afoita
Em tranquilos suores, tu encontres
Os líquidos vivos do meu corpo
A escorrerem da umidade da palmeira
Que treme de prazer quando é tocada
pela luz masculina do sol que já se anuncia.
C. Berndt
Ouvindo a noite, como dizes,
Quem sabe me ouças no vento
Ou no pio de alívio de uma coruja ouriçada
sejas capaz de ouvir meus gemidos quentes e incompreensíveis.
Talvez tu encontres o caminho da minha boca
no sereno das duas horas, as horas ocas,
uma gota grossa de chuva
a escorrer pelo beirado e a tocar ansiosa tua nuca.
Quem sabe, quem sabe,
No fim desta madrugada que morre afoita
Em tranquilos suores, tu encontres
Os líquidos vivos do meu corpo
A escorrerem da umidade da palmeira
Que treme de prazer quando é tocada
pela luz masculina do sol que já se anuncia.
C. Berndt
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