Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes as palavras voavam E eu via que o céu me nascia dos dedos E a Ursa Maior eram ferros acesos Marinheiros perdidos em portos distantes Em bares escondidos em sonhos gigantes E a cidade vazia da cor do asfalto E alguém me pedia que cantasse mais alto
Bateram,
Fui abrir era a saudade
que vinha para falar-me a teu respeito,
Entrou com um sorriso de maldade,
Depois sentou-se à beira do meu leito
e quis que eu lhe contasse só a metade
das dores que trago dentro do meu peito...
Este texto trata-se, na verdade, de um poema escrito por Afonso Lopes Vieira (1878 - 1946), poeta português, nascido na região de Leiria. O poema pode ser encontrado no livro ''Saudades Localidade: Não Quero ter''.
Númenna - Into the West - é um poema escrito por Tolkien numa das línguas que ele próprio inventou, o Quenya. Na mitologia de Tolkien, esta é uma língua falada pelos ''altos-elfos'', pertencentes às casas de Noldor e Vanyar, aqueles que alcançaram Valinor, uma espécie de ''paraíso'', um grande Vale localizado no extremo Oeste da Terra-Média, morada dos Valar, que são os deuses que construíram e edificaram o mundo. Maiores informações sobre isso podem ser encontradas no livro póstumo de Tolkien, ''O Silmarillion''. A partir do Quenya surgiram todas as outras línguas faladas por homens, hobbits, anões e outros seres que vivem na Terra-Média. Dessa forma, o Quenya pode ser comparado ao Latim Clássico, do qual derivaram as atuais línguas latinas faladas no Ocidente. Enfim, sou completamente apaixonado pela obra de Tolkien, a baixo têm o poema musicado e cantado em Quenya....
But now it has happened, No use in talking The silence between me and you Has never had meaning. It was, love it, that was all That was asked. But now it has happened, No words for the foretime, The desperation has made me the same, Has made me another. Who looks at the shape of the fish Grow giant on the side of his bowl, Who walks on the terrace Observing foliage from above, Who hears the snapping of plastic That wraps like cellophane Bare branches of climbers? You don't know, and I Who descend the stairs neither, I am the same, I am another.
De repente, não mais que de repente, sinto uma 'vontade/saudade' de apanhar um comboio e passar a tarde em Lisboa, caminhar da baixa ao bairro alto, passear meus olhos sobre os azulejos, ouvir um ou outro fado enquanto passo na rua...
No meio da madrugada,
Depois de acordar suado,
assustado,
como um menino perdido em seus pesadelos,
acalmo-me:
com o sabor do chá,
o frio da manhã que nasce,
os suspiros das estrelas no universo. «Não te percas nos teus sonhos, menino-ostra, Tem cautela para não pisares e machucares as margaridas do teu caminho E deixa o Rouxinol cantar, deixa-o cantar e passa. Passa, que já já estás a sorrir de novo»
De certeza que ouvi outros Fados antes deste. Mas, foi este o primeiro que me marcou, e se fechar os olhos até consigo lembrar, sentir e quase reviver o exato minuto em que o ouvi pela primeira vez.
De linho te vesti De nardos te enfeitei Amor que nunca vi Mas sei ...
Sei dos teus olhos acesos na noite Sinais de bem despertar Sei dos teus braços abertos a todos Que morrem devagar ...
Sei meu amor inventado que um dia Teu corpo pode acender Uma fogueira de sol e de fúria Que nos verá nascer
Irei beber em ti O vinho que pisei O fel do que sofri E dei
Dei do meu corpo um chicote de força Rasei meus olhos com água Dei do meu sangue uma espada de raiva E uma lança de mágoa
Dei do meu sonho uma corda de insónias Cravei meus braços com setas Descobri rosas alarguei cidades E construí poetas
E nunca te encontrei Na estrada do que fiz Amor que não logrei Mas quis
Sei meu amor inventado que um dia Teu corpo há-de acender Uma fogueira de sol e de fúria Que nos verá nascer
Então:
Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos, Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas, Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas, Nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem guerras Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos, Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas, Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas, Nem mal ... ... ...
Deixo-vos a interpretação deste poema de Ary dos Santos feita por Susana Félix. Em 2009, ano em que completavam-se vinte e cinco anos da morte de Ary dos Santos, Susana Félix, Mafalda Arnauth, Viviane e Luanda Cozetti musicaram e cantaram onze poemas do poeta português em sua homenagem. ''Canção de Madrugar'' é um dos textos mais belos de Ary e Susana dá vida a uma interpretação estonteante e visceral.