Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Saudade


És a filha dilecta da noss'alma
Da noss'alma de sonho e de tristeza,
Andas de roxo sempre, sempre calma
Doce filha da gente portuguesa!

Em toda terra do meu Portugal
Te sinto e te vejo, toda suavidade
Como nas folhas dum missal
Se sente Deus! E tu és Deus, Saudade!...

Andas nos olhos negros, magoados
Das frescas raparigas. Namorados
Conhecem-te também, meu doce ralo!

Também te trago n'alma dentro em mim,
E trazendo-te sempre, sempre assim,
É bem a Pátria q'rida que eu embalo!




Florbela Espanca in Trocando Olhares.

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