Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 30 de dezembro de 2012

sábado, 29 de dezembro de 2012

Alma solitária


E assim,
como uma triste noiva abandonada e soluçante no altar,
a noite vai passando.
E passa de baixo da minha janela,
cantando os versos do poeta da minha terra:

''Ó Alma doce e triste e palpitante!
que cítaras soluçam solitárias
pelas Regiões longínquas, visionárias
do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
quantos silêncios, quantas sombras várias
de esferas imortais, imaginárias,
falam contigo, ó Alma cativante!

Que chama acende os teus faróis noturnos
e veste os teus mistérios taciturnos
dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
como um arcanjo infante, adolescente,
esquecido nos vales da Esperança?!''

Alma solitária, poesia de Cruz e Souza.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Para o norte, andorinha, para o norte:

Ó,
estou cansado de andar,
os meus pés doem de pisar essa terra
dura e magoada,
cheia de espinhos e desencontros. 
Tantos desencontros,
tantas pontes levantadas em vão:
quase ninguém chega 
do outro lado da margem.

E há quem mergulhe neste rio
chamado solidão
e afunde nele com pedras
amarradas na cintura,
na esperança de adormecer
em tudo e para sempre,
de esquecer-se.
Eu também sonho 
com esse adormecer,
mas falta-me a coragem
e também
que os meus olhos deixem de brilhar quando veem estrelas.
Mas, ó, bem queria outro tipo de adormecer,
um mais mágico e mais pueril:
quem me dera deitar-me homem e
acordar-me pássaro,
de penas, bico e asas,
livre, pequeno, leve 
e esquecido,
Tranquilo.
Ser,
ser uma andorinha,
pra encontrar de novo o meu Norte
e d'ele nunca mais voltar.

O verão ainda está longe
e não posso mais viver pensando no amanhã:
vou deitar-me,
ao menos nos sonhos, 
a minha alma voa
e beija os lábios de quem amo.

Ouves os meus suspiros,
andorinha, ouves?
pois então,
leva,
leva a minha saudade
e a vontade dos meus beijos para ele,
já que tu tens asas
e eu
só os sonhos e espasmos

ah.
deixa escapar o verso.
ele sempre volta.
volta
pra te assombrar,
pra acordar o teu sono
e romper com teus sonhos.

o corvo-profeta não abandona
o alpendre da tua janela, jovem poeta.
vem sempre gritar aquele ''nunca mais''
que te faz condoer-se pelas tristes palavras
que ele canta.

e,
como milagre da madrugada
-milagres só acontecem quando o sol descansa-,
faz de ti quem resignifica, quem reinventa,
a mágoa que bebe do coração de ambos
- do corvo e do poeta.

Metamorfose

o poeta que dormiu pétala
acordou pedra.



domingo, 2 de dezembro de 2012

O guarda-roupa e as estrelas.


deixo o papel,
amoleço a mão e abandono a caneta.

Tenho de dizer olá à noite!
ao anoitecer,
os minutos crepusculares
que sempre me causam esta dolência,
este pesar nas pálpebras da alma
- uma dor que lateja bem fundo, sabe?
que vem não sei d'onde e nem porquê...
Uma vontade de rir e chorar,
uma angústia apertada
que me faz querer correr pr'a dentro...
dentro de mim?

Procuro o guarda-roupa da sala vazia,
lugar secreto, onde escondo os meus versos.

É assim desde que sou muito pequeno
- debruçado sobre a janela,
palpitante como a noite que se desfia,
contando estrelas,
crente de que as histórias que elas cantam
são ouvidas só por mim.

domingo, 11 de novembro de 2012

In a sentimental mood

But now it has happened,
No use in talking
The silence between me and you
Has never had meaning.
It was, love it, that was all
That was asked.
But now it has happened,
No words for the foretime,
The desperation has made me the same,
Has made me another.
Who looks at the shape of the fish
Grow giant on the side of his bowl,
Who walks on the terrace
Observing foliage from above,
Who hears the snapping of plastic
That wraps like cellophane
Bare branches of climbers?
You don't know, and I
Who descend the stairs neither,
I am the same, I am another.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012


12:21 – aquele momento efêmero, depois do almoço, em que sentamos n’algum banco, com a  alma cheia de sono e vagar, e olhamos em volta:



Vejo-o de longe,
sentado com suas pernas abertas de homem.
homem macho – a contemplar o mundo,
                um mundo que cabe entre as suas pernas?!


Acho-o lindo – com suas pernas de homem
com suas pernas e seus pêlos de homem,
com seu ar de homem que pensa
ser dono do mundo porque este mundo que há
parece caber entre as suas pernas.


Ele fuma. Admira o céu e olha a tudo e todos
como se estivesse por cima.


Acho-o lindo – deitaria-me com ele,
despiria as suas roupas, despiria e jogaria a um canto
o seu imbecil  ar superior de homem.

Os seus cabelos balançam  - ele gosta do vento que embala o seu ego.
Dá uma última tragada, levanta-se cauteloso,
–  parece esperar por alguém,
só parece,
ele está só – só com seu ar de homem.


Vai embora – com ar desiludido,
olhando para trás,
de certo pensa
que ninguém reparou no quanto ele abriu as pernas.
Eu reparei –  mas ele jamais vai saber disso.

Para onde vai tanto ego?
Aonde te leva – nos leva – todo esse inflar de sensações, de aparências?
Tudo não se esvazia, foge e  se escapa no fim de um orgasmo?
Orgasmo – é para isso que os homens abrem as pernas?



Já não o vejo,
nem o balançar delicioso de suas nádegas – dois lindos e redondos gomos de laranja.
Ah. O meu cigarro também chegou ao fim
– desfez-se, virou fumaça, fluído.

Tudo desfaz-se e é vão
– o teu ar superior de homem e a minha poesia.
Poesia vã, que só vale o tempo de um cigarro.


Tudo é vão. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mary Shalley - Mathilda Kovak

''Eu vou fazer um homem, com restos de outros homens... 
eu quero um homem pra mim, um homem'' 



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Fado da procura

De repente, não mais que de repente, sinto uma 'vontade/saudade' de apanhar um comboio e passar a tarde em Lisboa, caminhar da baixa ao bairro alto, passear meus olhos sobre os azulejos, ouvir um ou outro fado enquanto passo na rua...


domingo, 2 de setembro de 2012

James Whale - Gods and Monsters

James Whale.
Eu já havia ouvido falar dele, mas confesso que só consegui ligar o nome à pessoa após este filme, ''Gods and Monsters''. Ele foi ninguém menos do que quem dirigiu o clássico filme ''Frankenstein'', de 1931. E também o posterior, ''Bride of Frankenstein'', em 1935.

Recomendo o filme, é bom modo de conhecer melhor esta figura já esquecida, James Whale. Contudo, acho crucial conhecer os seus filmes, principalmente estes dois clássicos.

''Gods and Monsters'' é interessante na medida que vamos percebendo que o mais interessante do filme está nos momentos em que James Whale recorda-se do passado, o que é nos mostrado através de flashbacks, enquanto conversa com Clayton, seu jardineiro e novo amigo.
Passamos a conhecer um pouco da histórios deste homem, de sua sensibilidade, frustrações, dos medos e também amores que teve.
James Whale, no filme, vive atormentado por sombras, pelas suas próprias lembranças, que visitam a sua solidão. Acho intessantísismo o momento em que Whale compara as suas lembranças a monstros, aos próprios monstros que ele criou no cinema. O filme é uma boa viagem através da memória deste gênio do cinema, que é interpretado pelo famoso e distinto ator britânico, Ian McKellen. A título de curiosidade, lendo sobre este filme descobri que Ian MacKellen é homossexual assumidos desde os anos de 1980e que foi eleito, atualmente, ''o homossexual mais influente do Reino Unido''.



Trailler de ''Gods and Monsters'':




sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Saudade


És a filha dilecta da noss'alma
Da noss'alma de sonho e de tristeza,
Andas de roxo sempre, sempre calma
Doce filha da gente portuguesa!

Em toda terra do meu Portugal
Te sinto e te vejo, toda suavidade
Como nas folhas dum missal
Se sente Deus! E tu és Deus, Saudade!...

Andas nos olhos negros, magoados
Das frescas raparigas. Namorados
Conhecem-te também, meu doce ralo!

Também te trago n'alma dentro em mim,
E trazendo-te sempre, sempre assim,
É bem a Pátria q'rida que eu embalo!




Florbela Espanca in Trocando Olhares.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

You are so beautiful to me.


Joe Cocker - ''You are so beautiful to me''

sábado, 25 de agosto de 2012

Insônia


Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite -
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah! o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
- Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho forças para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos -
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos versos...
Tanto versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora dele e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo - sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Ô madrugada, tardas tanto...Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado,
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio.
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte...
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece.
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente. Mas não durmo.

Álvaro de Campos
(1888-1935)



esta imagem pode ser encontrada neste site: Triplic'Art

J'ai tué ma mère

Dica de filme para um sábado de frio e chuva:  





sábado, 18 de agosto de 2012

O escritor e a dúvida


 

    Gostaria apenas de compartilhar este texto com vocês que acompanham, carinhosamente e com alguma regularidade, as atualizações deste meu «cantinho de desabafo e poesia».
    É um texto escrito pelo jornalista José Castello, publicado no Jornal ''O Globo'' em 18/08/2012 e e que está disponível no blog   «Conteúdo Livre»
    O texto se chama ''A criança perdida'' e trata-se de uma espécie de reflexão sobre o ato de escrever e sobre a figura do escritor. José Castello discute e questiona o modo como, na atualidade, a sociedade e as instituições ligadas à Literatura relacionam-se com a figura do escritor, faz isso através das ideias do escritor Bartolomeu Campos de Queirós.

Aqui têm alguns trechos que resumem, mais ou menos, algumas de suas ideias principais:

''Falecido em janeiro de 2012 aos 67 anos, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós nunca se cansou de dizer, ao contrário, que os escritores não escrevem com o que sabem, mas com o que desconhecem. “Se a literatura é uma extensão do autor, a mim ela surge pela falta”, diz em um dos ensaios de “Sobre ler, escrever e outros diálogos” (editora Autêntica). “Meu desejo é talvez de contar para os mais jovens aquilo que gostaria que fosse narrado a mim”.

“Só me interesso pelo que me falta”, insistia em dizer, e com isso explicava um pouco como os escritores suportam tantos anos de solidão antes de chegarem a um livro. O livro, no fundo, é só o desfecho dessa luta. É uma cicatriz que, em vez de ficar inscrita no corpo, se inscreve no papel. Para lutar, alimentam-se da insatisfação. “O que sei não me basta ou satisfaz”, escreve Bartolomeu. “Criar, para mim, é a alternativa derradeira para abrandar o peso do não sabido”.

''(...) Literatura é o contrário do aprendizado. O escritor não é um mestre, mas um aluno que luta para escutar a si mesmo. Consegue ouvir alguma coisa, e do que ouve, escreve.Não é muito, e por isso a literatura não oferece grandes respostas. Mas é o bastante para nos abalar.''


Bartolomeu parecia ser um daqueles escritores conscientes, que antes de ostentar algum tipo de orgulho e julgar-se um ''sábio'', colocava-se na posição de alguém que apenas pára e consegue ouvir a si próprio. Eu diria que o escritor e também os artistas, de um modo geral, são pessoas que conseguem olhar para a vida, para as pessoas e para si próprio como se fossem capazes de colocar-se fora disso tudo, «como a Alice de Lewis Carrol  a olhar para o jardim e para o coelho apressado através do pequenino buraco da fechadura''. 

E mais uma vez, creio ser útil trazer de volta aquela velha frase: ''É preciso idolatrar a dúvida!''



Clique no link acima para ler o texto ''A criança perdida'', escrito por José Castello e disponível no Blog ''Conteúdo Livre''.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sally's song


Esta música faz parte do filme ''The Nigthmare Before Christimas'', uma das mais
conhecidas e mais belas produções de Tim Burton. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tempo de pipa - Cícero

''Mas tudo bem,
o dia vai raiar,
pra gente se inventar de novo...''


''Tempo de pipa'' é uma das faixas do disco ''Canções de Apartamento'' do cantor Cícero, antigo vocalista da banda ''Alice'':



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sobre chás, sofás e madrugadas:

No meio da madrugada,
Depois de acordar suado,
assustado,
como um menino perdido em seus pesadelos,
acalmo-me:

com o sabor do chá,
o frio da manhã que nasce,
os suspiros das estrelas no universo.

«Não te percas nos teus sonhos,
menino-ostra,
Tem cautela para não pisares
e machucares
as margaridas do teu caminho
E
deixa o Rouxinol cantar,
deixa-o cantar e passa.
Passa, que já já estás a sorrir de novo»





sábado, 4 de agosto de 2012

Canção de Embalar - Zeca Afonso



De certeza que ouvi outros Fados antes deste.
Mas, foi este o primeiro que me marcou,
e se fechar os olhos
até consigo lembrar, sentir e quase reviver
o exato minuto em que o ouvi pela primeira vez.




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Falta-me a Inteireza.

Os versos
não têm querido sair de mim.
Assemelham-se a pingos
de uma chuva fina e rala.

E às vezes penso
que já chorei
todos os versos que podia chorar.

Mas,
quando penso ter ido longe,
ou estar imerso num grande
e obscuro nada,
surgem-me, na boca,
mais gotinhas de alguma luz
- versitos pensados
e sentidos para ti, meu querido.

Pr'a cantar essa doida saudade,
esse sentimento grande que é te amar,
mesmo te tendo assim perdido,
no longe, na distância...
Mas, ainda assim,
tenho-te por perto sempre,
como uma sombra constante,
um sopro de lembrança e de vontade
que acompanha o meu espírito
por todos estes degraus, curvas,
ruas escuras,
por onde nunca me acho,
apenas me perco...

Tu és o moço dos ombros bonitos,
dos cachinhos castanhos
que com aura de anjo
e sorriso de pirata
presenteou-me com as andorinhas
e o sorriso jovem do verão,
mas que por culpa
do destino
e de algum deus invejoso,
sequestrou a minha inteireza,

sou agora este poeta casmurro,
metido debaixo de um guarda-chuva
e de um capote roxo,
de passos lentos,
com as mãos nos bolsos,
melancólico nos gestos,

partido
por que tenho só Saudades tuas.

Mas o coração
e também a chuva no telhado
me dizem a mesma coisa:
«Ele há de voltar, há de voltar»

pra que eu,
inteiro de novo,
reencontrado,
possa, então,
te dar o meu amor
e os meus versos,
que hão-de ser menos,
menos tristes.



segunda-feira, 30 de julho de 2012

Suspiros.


Letargia.
Quem nunca teve dias assim?
Dias letárgicos,
Em que você come porque tem de comer,
Bebe porque tem de beber,
Anda por andar,
Fuma por fumar…
E no fim do passeio,
onde  se finda a areia,
onde o mar vem beijar o liso das pedras,
onde alguma sereia vem chorar sua solidão,
você se cala e olha em volta,
andar, andar para onde?
Se tudo que se tem está no passado.
Ser fiel a ele, o passado?
Ou olhar para o mar?
Onde estão as pontes?
Restam-me todos os suspiros do fim de um dia. 

No fim da tarde.


O dia cheira a pôr-do-sol.
E a noite já vem beijar o mar.
Seus olhos brilham
e pequenas e puras lágrimas de saudade
lhe escorrem pela face branca.
Mãos nos bolsos,
deixa de fitar o mar e percebe
que não caminhou o bastante...
Tudo ainda é como antes,
E se não fosse pela distância,
Ele o abraçaria e voltariam juntos para casa.


               







sábado, 28 de julho de 2012

DA BELEZA






‎'' Uns dizem que é uma hoste de cavalaria, outros de infantaria;
outros dizem ser uma frota de naus, na terra negra,
a coisa mais bela: mas eu digo ser aquilo
que se ama. (...)''


-- Safo

domingo, 8 de julho de 2012

A noite gosta de mim...

''A noite gosta de mim'', Carminho. 


sexta-feira, 6 de julho de 2012

''Banho Turco'' e ''Como esquecer'' - sugestão de filmes

Aqui têm duas boas dicas de filmes, logo mais comento sobre os dois:

''Hamam'' ( ou ''Banho Turco'', em português):



''Como esquecer'':




terça-feira, 3 de julho de 2012

Mais Yaoi's

Pr'a quem gosta de Yaoi, deixo aqui uns desenhos super fofos:










Todas as imagens foram retiradas deste endereço: https://www.facebook.com/yaoi.extreme




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Canção de Madrugar - Ary dos Santos



De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei ...

Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar ...


Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer


Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei

Dei do meu corpo um chicote de força
Rasei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa

Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas

E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis

Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer

Então:

Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,
Nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem guerras
Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,
Nem mal ... ... ...





Deixo-vos a interpretação deste poema de Ary dos Santos feita por Susana Félix. Em 2009, ano em que completavam-se vinte e cinco anos da morte de Ary dos Santos, Susana Félix, Mafalda Arnauth, Viviane e Luanda Cozetti musicaram e cantaram onze poemas do poeta português em sua homenagem. ''Canção de Madrugar'' é um dos textos mais belos de Ary e Susana dá vida a uma interpretação estonteante e visceral.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Na madrugada.

...
(suspiro)
 são coisas minhas,

ideias, cansaços,
pensamentos e versos...
...
Deito-me em tudo isto,
com a alma enfeitada de Nardos 
e os sonhos,
estes,
tenho-os mergulhados 
numa xícara quente que esfumaça camomila. 

não há barulho na noite,
tudo está a dormir
...
meus olhos piscam um mundo apagado.
...
( suspiro)

Não há barulho na minha alma.
Tudo silencia-se,
como um cigarro a queimar sozinho no cinzeiro.

Já lá vãos os sonhos, calados,
as aspirações da madrugada
diluem-se no torpor do chá
ou pulam,
pulam da janela e viram grito.
um grito de quase nada,
grito de grilo,
ou de vaga-lume
que foi dormir desistido
de alumiar o véu da triste viúva,
a Senhora Dona Noite.  

sábado, 16 de junho de 2012

Poetas



















Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém,
São almas de violeta
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!


- Florbela Espanca in Trocando Olhares.


a imagem a cima foi retirada do seguinte endereço eletrônico:

terça-feira, 12 de junho de 2012

EM CRETA, COM O MINOTAURO



I

Nascido em Portugal, de pais portugueses,
e pai de brasileiros no Brasil,
serei talvez norte-americano quando lá estiver.
Coleccionarei nacionalidades como camisas se despem,
se usam e se deitam fora, com todo o respeito
necessário à roupa que se veste e que prestou serviço.
Eu sou eu mesmo a minha pátria. A pátria
de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações
nasci. E a do que faço e de que vivo é esta
raiva que tenho de pouca humanidade neste mundo
quando não acredito em outro, e só outro quereria que
este mesmo fosse. Mas, se um dia me esquecer de tudo,
espero envelhecer
tomando café em Creta
com o Minotauro,
sob o olhar de deuses sem vergonha.

II

O Minotauro compreender-me-á.
Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.
É metade boi e metade homem, como todos os homens.
Violava e devorava virgens, como todas as bestas.
Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine,
que Valéry, o cretino, achava um dos mais belos da "langue".
Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que se lixou.]
Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta,
riu-lhe no focinho respeitável.
O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto
o sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras,
cheias de ninfas e de efebos desempregados,
se cerrarão dulcíssimas nas chávenas,
como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo
de investigar as origens da vida.

III

É aí que eu quero reencontrar-me de ter deixado
a vida pelo mundo em pedaços repartida, como dizia
aquele pobre diabo que o Minotauro não leu, porque,
como toda a gente, não sabe português.
Também eu não sei grego, segundo as mais seguras informações.
Conversaremos em volapuque, já
que nenhum de nós o sabe. O Minotauro
não falava grego, não era grego, viveu antes da Grécia,
de toda esta merda douta que nos cobre há séculos,
cagada pelos nossos escravos, ou por nós quando somos
os escravos de outros. Ao café,
diremos um ao outro as nossas mágoas.

IV

Com pátrias nos compram e nos vendem, à falta
de pátrias que se vendam suficientemente caras para haver vergonha]
de não pertencer a elas. Nem eu, nem o Minotauro,
teremos nenhuma pátria. Apenas o café,
aromático e bem forte, não da Arábia ou do Brasil,
da Fedecam, ou de Angola, ou parte alguma. Mas café
contudo e que eu, com filial ternura,
verei escorrer-lhe do queixo de boi
até aos joelhos de homem que não sabe
de quem herdou, se do pai, se da mãe,
os cornos retorcidos que lhe ornam a
nobre fronte anterior a Atenas, e, quem sabe,
à Palestina, e outros lugares turísticos,
imensamente patrióticos.

V

Em Creta, com o Minotauro,
sem versos e sem vida,
sem pátrias e sem espírito,
sem nada, nem ninguém,
que não o dedo sujo,
hei-de tomar em paz o meu café.



Jorge de Sena

domingo, 10 de junho de 2012

Sabiá


Quem pára
para ouvir o Sabiá
e seu canto triste
toando saudade?

Só o menino triste
da rua de baixo,
que passa quieto,
com as mãos nos bolsos,
a olhar para cima.

Os seus olhos rasos
até dão lugar a um sorriso
- o Sabiá canta o que ele sente no peito.
Nem vai compor versos naquela noite.

«Sou igual a um sabiá
Que quando canta é só tristeza...»



sexta-feira, 8 de junho de 2012

Peito Vazio



Roberta Sá e Ney cantam Cartola. 

Ser Poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                   Florbela Espanca

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Todo Sentimento.


''...Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez....''



domingo, 27 de maio de 2012

Ecos na Catedral - Madredeus



''
Os teus olhos são vitrais
Que mudam de cor com o céu
E quando sorriem, iguais...
E quando sorriem, iguais...
Quem muda de cor sou eu

Tomara teus olhos vissem
O amor que trago por ti
Nem o entardecer me acalma...
Nem o entardecer me acalma...
Na ânsia de te ter aqui

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Afogam-se na solidão

Fui para um templo de pedra
Escolhi um recanto isolado
Que me faça esquecer tua voz...
Esquecer-me da tua voz...
Que me faça acordar do passado

Escondida em sítio sagrado
E não me apetece o perdão
Devo estar enfeitiçada
Náufrago do coração

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Afogam-se na solidão

Não sei se perdoo o meu fado
Não sei se consigo enfim
Um dia esquecer que teus olhos
Sorriem, mas não para mim ''


Abajur Lilás - Plínio Marcos

Ontem, fui assistir a peça ''Abajur Lilás'', interpretada por um grupo teatral português  no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra. Trata-se de uma peça teatral brasileira, cujo autor é Plínio Marcos, escritor que escreveu, sobretudo, na ditadura militar. A peça conta o drama de três prostituas que sofrem com as explorações de um cafetão e de um mundo injusto, marginalizado e violento. A peça tem como pano de fundo o contexto da ditadura militar brasileira.

Vale a pena assistir e também ler a peça, que trata-se de uma ferrenha crítica ao regime ditatorial e suas torturas, lançando olhar sobre  um assunto que é, comumente, posto de lado, a prostituição. A peça tem ainda uma veia cômica.

Mais informações aqui: http://weblog.aescoladanoite.pt/?p=6413



'' Que será da luz difusa do abajur lilás 
se nunca mais vier a iluminar 
outras noites iguais?'' 

- Que será, música de Dalva de Oliveira

terça-feira, 22 de maio de 2012

Copo com alfazema.

As minhas tempestades se acalmaram,
as nuvens
que

bagunçavam-me por dentro,
que relampejavam-me
                         dores,
                    dispersaram-se.

As ondas que batiam forte
sobre as minhas mágoas
e não deixavam-me
chorar em silêncio,

      calaram-se
- o mar que há dentro de mim está quieto.

Não que não sinta mais nada,
não, inda choro,
e penso que há-de ser raro
o momento que encontrarei outro,
como tu,
que me agrade tanto,
no cheiro que me embriagava,
no modo como olhava
              para mim e para o mundo...

Meus olhos
ainda choram quando lembram
e sentem a tua falta,
Mas eu já estou em paz
com o lado da minha cama
   que fica frio,
   todas as noites.

Sinto,
sinto a Saudade
me morder sempre,
- e o ciúme também.

Olho pr'a ti, agora,
como um verão gostoso
que se foi,
como uma cantiga feliz
 que tornou-se fado.

Eu sonho,
e quero de novo te ver,
...
mas, juro,
uma calma me invadiu.

O meu coração,
que outrora gritara como louco,
enfim, descansa dentro de um copo
com alfazema.

As paredes do meu espírito,
sonâmbulas,
agora ressonam em algum silêncio.

As tempestades se foram.
 Restou uma chuva fina
...
delicada,
triste em lágrimas contidas,
melancólica em suspiros fundos.

Vou passear com meu guarda-chuva
e com os meus sonhos,

vou por aí, anjinho,
com a saudade,
com um punhadinho de sorrisos
e com alguma esperança
   por debaixo do braço.
Quem sabe,
um dia esta chuvinha também passe,
vá se embora,

e você venha pular as poças comigo.


domingo, 20 de maio de 2012

Queria ser um pássaro,
sozinho,
pequeno,

e nem precisava ser o rouxinol.

Mas iria voar,
livre e esquecido por aí.

sábado, 19 de maio de 2012

Dom Casmurro - O primeiro livro amado do meu coração


‎'Cá com meus botões', não encontro obra outra na Literatura que me encante tanto e da mesma forma como o primeiro 'livro amado do meu coração' - 'Dom Camurro':


'' Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca fora. Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. As mãos, a despeito de alguns ofícios rudes, eram curadas com amor, não cheiravam a sabões finos nem águas de toucador, mas com água do poço e sabão comum trazia-as sem mácula. Calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos.''





As descrições rápidas, mas eficazes, feitas de modo quase caricatural, enfeitam esta que para mim é uma das obras máximas da Literatura Brasileira, ignorá-la é como dizer 'não' para o amor, ou manter-se trancado dentro de uma caverna quando o dia lá fora é bonito e tem borboletas. Mas é ainda ignorar uma parte escura e necessária do mundo, onde ressona um silêncio 'casmurro' sob ecos de melancolia e de Shakespeare.



- não preciso nem referir-me ao que penso sobre Machado de Assis, este gênio da Literatura Brasileira. Quando alguém diz-me que não gosta do que escreve Machado de Assis, eu simplesmente pasmo. Faço das minhas palavras as mesmas ditas por Harold Bloom no 'Cânone Ocidental', onde disse que se Machado de Assis tivesse escrito em inglês ou francês, seria um novo Balzac ou até mesmo uma espécie de Shakespeare no romance e em outros gêneros narrativos. Pra mim, ele sempre estará aqui, na minha cabeceira, no meu coração e orgulho-me muito do fato de termos este grande nome na Literatura Brasileira e Lusófona. -

sexta-feira, 18 de maio de 2012

''o primeiro amor do coração''

''(...) Agora , por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. (...)'' 



ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Abril Cultural, 1981.



Mafalda - Yo-Yó!









terça-feira, 15 de maio de 2012

Andorinhas.

O sono não me quis nesta noite,
e cansado de conversar sozinho
                 com meu travesseiro,
De criar e encher o futuro
                com balões,

pulei da cama,
E sem dar muito por mim,
ainda com os cabelos bagunçados,
sem muito escolher entre os cabides
 -  uma camiseta e um jeans  -

Saí,
ganhei as calçadas,
fui ouvir as andorinhas.

As andorinhas me querem,
e cantam para mim
   os sonhos que não tive à noite,
que me vêm
esvoaçantes
com as correntes de ar,
enchem meus olhos de luzinhas,

até dá vontade de gritar Esperança


domingo, 13 de maio de 2012

Delicadeza.

Solos de violão
mãos dedilhando notas sensíveis
Tardes de sol
Delicadeza
Céu azul azul
Nuvens brancas de algodão doce.

Na beira do rio,
sentado eu me lembro
que podia ser de novo ontem,
aquela tarde querida,

quando brilharam-nos
os nossos olhos,
E nossos ouvidos eram
tocados pelos sons dos passarinhos
que brincavam contentes...

Não pensávamos assim no Tempo,

éramos assim, assim sorriso,
novidade,
um gosto bom de goma na boca,

não doía assim tanto a Saudade.






terça-feira, 8 de maio de 2012

A viagem - Roupa Nova

''Coisas do passado são alegres quando lembram novamente as pessoas que se amam...''


Música que ficou conhecida através da telenovela 'A viagem'.





segunda-feira, 7 de maio de 2012

Naufrágios

Há dias em que
esta chuva fina e insistente
 consegue mesmo encobrir a tudo,

Os meus sonhos,
o meu pouco e leve sorrir,
cobrem-se, de névoa,
de preto,
fogem porque há medo,
todos os espelhos e todas as janelas
são ameaçadoras.

Não há gota d'água que pareça pequena,
nem suspiro que acalme meu corpo,
nem canção que me leve daqui.

Há, sim,
um pequeno quarto escuro,
que navega sob uma minúscula
luz de abajur,
onde ouve-se pingar na janela
um pouquinho de tristeza,
um pouquinho de solidão.

Há dias tão pequenos
e cheios de brumas
que meus sonhos não são nada,
não fazem luzir qualquer luz,
o futuro parece tão tão distante,
ondas atingem a tudo revoltosas,

vem, vem, marinheiro,
salvar meu barco do naufrágio!





quarta-feira, 2 de maio de 2012

Catulo e Juvêncio.

   

   Catulo é um dos mais célebres poetas latinos que precedem aquele que é tido como o Grande Poeta de Roma, Virgílio. Confesso que houve um tempo em que fui avesso à reconhecer a beleza e genialidade dos versos de Catulo - mas isto se deve a uma disciplina de Latim que cursei, onde fui obrigado a traduzir os poemas de Catulo, em um latim literário e duro! Latim é uma língua 'dura' de se aprender, sempre perguntei-me: «Pra quê estudar uma Língua morta?»  Hoje, passado algum tempo, com mais maturidade, intelectual e pessoal, com mais leituras nestes meus ombritos, eu consigo perceber a grandeza e a beleza do latim clássico. Sim, porque o latim clássico é muito diferente daquilo que o vaticano entende como a sua língua oficial. Agora percebo que o estudo da Língua Latina Clássica é extremamente importante, por exemplo, para entendermos a evolução da nossa língua materna, o português. Além disso, o latim fornece instrumentos utilíssimos para estudantes de Línguas e  nos dá noções incríveis de Sintaxe, que raramente podemos conseguir em outro lados. 
   Mas nos concentremos em Catulo. Hoje, numa aula de Literatura Greco-Latina, eu descobri que Catulo compôs inúmeros poemas, publicados no seu livro chamado 'Carmina', dedicados a um jovem que se chamava Juvêncio. Ou seja, Catulo tinha, para além da conhecida relação com a mulher que chama de Lésbia, um amante masculino, uma paixão homossexual. Isso não me assusta, afinal, estamos falando de Roma e bem se sabe que aquele povo era muito ''pra frente'' com questões sexuais, pelo menos no que diz respeito ao tratamento e modo como viam as relações homoafetivas, completamente aceitas e vistas como corriqueiras na maioria das cidades romanas. 
   Esta descoberta sobre a paixão de Catulo por um rapaz despertou-me a vontade de reler Catulo, desta vez sem a pressão de ter de traduzir seus textos, mas podendo apreciar a beleza de sua Literatura. Fiquei 'revoltadinho' também pelo fato da minha professora de Latim nunca ter mencionado a existência deste Juvêncio na obra de Catulo. Mas, enfim, graças a esta aula de Literatura, que é fantástica, pude conhecer esta outra face do tão dramático poeta latino do século I a. c., Catulo. 
   Deixo-vos um dos poemas que Catulo escreveu para Juvêncio. Têm a tradução e a versão original em Latim. Eu prefiro a versão original, é mais bonita, elucidativa, onde podemos perceber a real sensibilidade poética dos versos de Catulo. 

Aí têm os poemas, tradução e versão original, respectivamente:

'' XLVIII

Os teus doces olhos de mel, Juvêncio,
se alguém mos deixar beijar sem parar,
sem parar trezentas mil vezes os beijarei!
Não parecerei vez alguma satisfeito,
nem se mais basta que as secas espigas
for a ceifa dos nossos beijos. ''

Original:

'' XLVIII

mellitos oculos tuos Iuuenti
si quis me sinat usque basiare
usque ad milia basiem trecenta
nec numquam uidear satur futurus
non si densior aridis aristis
sit nostrae seges osculationis. ''



Estes poemas e muitos outros podem ser encontrados no livro de poemas reunidos de Catulo, chamado Carmina.


domingo, 29 de abril de 2012

Estrelas Cadentes:

na dúvida,
 abra teu guarda chuva,
recolha-se no teu silêncio:

Deixe chover as estrelas.
Elas caem também para ti.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O tempo passa.



Sonhei contigo,
eu era novamente
o teu querido companheiro,
o teu amante feliz e invejado.

No sonho,
Tu vinhas visitar-me,
misteriosamente,
pisando a escuridão
  [como quem pisa em penas...
Afagasvas os meus cabelos,
encostavas tua face quente
  [na minha face enxuta de lágrimas

e te abrias em sorrisos,
  [do mesmo modo como te recordo,
envolto numa coisa e luz que é só tua,
como quem diz:

«calma, coisa linda, o tempo passa, passa»

Horizonte

Sobre os ombros,
o peso dos dias
sem memória.

No olhar,
a ausência,
sal cristalizado. 

Poema Horizonte de Luísa Dacosta in Poesia - A maresia e o sargaço dos dias

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Poema


Pensei em escrever um poema.
Mas, o acaso me fez ouvir esta canção composta por Cazuza, 
aqui interpretada pelo digníssimo e talentoso Ney Matogrosso. 
Desisti de escrever o poema, 
a música diz tudo que estava/estou sentindo. 
Algumas coisas são mesmo assim. Ah, o acaso!


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pássaros Pretos.



Abril nublado e de chuva fina,
desfile de guarda-chuvas,
 capotes e botas
que desviam das poças nas calçadas.

Abril preguiçoso,
        garoeiro,
cheio de tardes que pedem bolinhos,
duas chávenas, dois corpos
e um sofá de molas.

Tardes assim tão chorosas
           dão asas à minha melancolia,
fazem-na sair por aí, cinzenta, solta,
calada a olhar para os lados,
imaginativa.

O rouxinol que devia estar cantando
dorme recolhido nos buracos das úmidas árvores,

E os  Pássaros pretos,
- ouçam-nos -
dependurados nos galhos e nos fios,
parecem ser os  donos destes dias.
Pássaros pretos a gralhar a chuva, a chamá-la,
        um solfejo de notas tristes sobre os telhados.

Pássaros pretos,
              solitários como têm de ser,
descem, ás vezes, dos sobreiros
e pousam sobre os ombros das pessoas,
não são visto, nem notados.

Pássaros pretos
que servem para nos lembrar
de que o mundo também tem canções tristes,
de que o destino por vezes é pálido,
         espeta-nos com sua vara e foge
         com o rosto coberto.

Pássaros pretos,
pobres e desgraçados pássaros,
almas angustiadas que gra-a-lham solidão
em nossos esquecidos ouvidos.

Pássaros Profetas,
Sacerdotes das portas do eu,
Parte mística e órfã do nosso espírito.
       
Pingos e respingos
Lá vou eu,
com este corvo dependurado no ombro
            a sussurrar-me seus versos fúnebres,
cheios de uma saudade dolorosa,
ele chora a vida e canta a morte...

Por compaixão,
eu sopro-lhe as penas
 e digo-lhe com um desistido e
esperançoso sorriso no rosto:

«Blackbird singing in the dead of night,
Take these sunken eyes and learn to see.»


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Convite,

Senhor Silêncio,
moço dos dedos de veludo,
vem ter comigo esta noite.
Quero falar de mim
e de muitas coisas,
mas sem as palavras, querido.
as palavras nos enganam tantas vezes.

Chegue mais perto,
sente-se à beira da minha cama,
sob a luz do meu abajur,
vem ter comigo e meus olhos tristes,
seca-me algumas lágrimas,

E sopra-me o rosto,
sem dizer nada,
apenas com tuas mãos,
monsieur,
tire as suas luvas,
deite sua cartola e seu capote,
converse comigo.

Conversemos
na língua das mariposas,
somente os sentidos e
nossas faces refletidas
nos nossos molhados olhos.

Com delicadeza
e gentileza
puxa-me de leve o queixo pr'a cima,
pois meus olhos têm querido olhar apenas o chão.

Conta-me anedotas,
distrações,
leva-me como faz o vento com as folhas,
deslizando
pelas calçadas, tão leves,
esquecidas e humildes.
     
Sem dizer nada
faz-me esquecer
um pouco
de mim, de tudo,
das palavras.

Shhhhh. Toca-me com o dedo nos lábios,
Senhor Silêncio.



sábado, 14 de abril de 2012

As tu dejá aimé?


Tantas vezes vi este filme e nunca me canso. 
Gosto muito da atuação de Louis Garrel.
Louis Garrel e sua pálida melancolia no inverno de Paris, 
gosto de suas olheiras, 
do seus gestos tristes que revelam uma personagem extremamente sensível e ao mesmo tempo, alguém cheio de poder de regeneração. Esta regeneração chega através dos braços do bretãozinho, Ewain. 'Les chansons d'amou' e Garrel é só poesia, só poesia...


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Maysa - Uma melancolia que ganha corpo.

       Terminei de reassistir a minissérie 'Maysa - Quando fala o coração'. Maysa acabou com meu estoque de lenços. O último capítulo da minissérie, principalmente, emocionou-me muito. As cenas em que Maysa e Jaime se reconciliam são extremamente tocantes. Acho difícil que alguém consiga não chorar nestas cenas. Eu não consegui. Estou em êxtase, reassistir esta minissérie deixou-me extremamente tocado por algo que ainda não sei... Talvez, seja apenas a minha melancolia. Talvez, Maysa, durante estes dias, com sua história e suas canções, tenha dado um corpo para minha melancolia, pois eu a senti como se ela fosse um outro ser humano, agarrado a mim, cantando-me coisas tristes, falando-me de amor e de coisas 'humanas', vi a minha humanidade tocada como poucas vezes antes. 
     A primeira vez que assisti esta minissérie foi há três anos, quando estava sendo transmitida pela primeira vez, na Tv. Contudo, desta vez, revendo-a, percebi muitas outras coisas que antes me fugiram, que antes não faziam sentido para mim. Hoje, estas coisas fazem sentido. Mas isso talvez se dê pelo fato de eu não ser mais aquele garoto, com recéns dezessete anos completos. Eu sou um outro, com muitas outras coisas vividas, pensadas, sentidas e sofridas. Hoje, me sinto mais próximo das coisas que Maysa tanto fala e nos mostra em sua história e suas canções, sinto-me próximo de algo que nem se quer consigo nomear, ou talvez consiga. Sinto-me próximo de 'minha humanidade', ou talvez, deva dizer 'maturidade'... Que seja. Não procuro muitas respostas ainda. Não nesta noite, pelo menos. Ainda estou me vestindo com as dúvidas e com a esperança. 
     Terminado de assistir o último capítulo da minissérie, eu fui ao youtube, comecei a assistir o especial: ''Maysa: estudos'', que tem quase uma hora de duração apenas, produzido em 1975 pela Tv Cultura. Neste programa, vemos a verdadeira Maysa. A verdadeira Maysa Monjardim a falar de si, de amor, da vida, de saudade... Este é um sentimento que me fica, tanto ao ver a minissérie, como ao ver o especial da Tv Cultura. Maysa foi fundo no que entendemos como 'saudade' e entendo bem isso quando ela diz, em certo momento, com seus olhos incrivelmente verdes, que '' nada é para sempre''. Conhecendo a história dela como conheci nestes dias, quase pude entender do que ela falava. Quase pude entender de quais momentos ela sentia saudade e lembrava com melancolia e claro, com alegria também. ''A vida é irrecuperável'' - diz o ator/apresentador/diretor Antônio Abujamra. 
         Acho que vou sempre sentir saudades. Saudades de pessoas que passaram em minha vida e  que se foram. Saudade de momentos que vivi, de situações, lugares, cheiros, comidas, dias, fins de tarde, árvores... Vou lembrar, com a garganta apertando, de coisas que eu tive e vivi e que, por um motivo ou outro, foram-se. Mas as coisas são mesmo assim, tudo se vai e vem, algumas coisas e pessoas voltam. Eu torço, torço para que eu possa ter algumas coisas de volta, reviver novamente alguns momentos... Porém, estes já serão outros momentos, 'outras pessoas', talvez. Ainda assim, eu torço. Tantos dias e momentos ainda estão por vir, não é? Venham. 
        Despeço-me deixando-vos com estas indagações/inquietações/reflexões. Despeço-me e deixo-vos a doce, forte e contundente voz de Maysa, cantando nada menos do que 'Ne me quite pas'. Aproveito para vos indicar o link de um blog, onde encontram todos os vídeos deste especial da Tv Cultura, 'Maysa : estudos', organizados e em sua respectiva ordem: 


Bonne nuit. 


O rapto de Ganímedes.







Absorto nos seus pensamentos,
puro nos gestos,
o jovem rapaz balançavam seu corpo
sem se dar conta do que provocava
       nos olhos atentos do deus.
Zeus,
o deus das suaves mãos,
as mesmas mãos que
        açoitam o mundo com seus trovões,
        não resistiu perante
        às curvas de um jovem homem,
        um dos mais belos príncipes de Tróia.

O deus deixou que sua saliva escorresse,
seu desejo gritasse sem que em nada mais pensasse.
Suas mãos apertavam-se, ansiosas,
E sem se dar conta já não era mais um deus,
um deus em forma de deus,
era um imenso e grande corvo,
o maior que já se viu,
voando sobre os céus da velha
       e ainda acesa Tróia.
Suas mãos, convertidas em garras,
desejavam aquele corpo macio,
branco como a lã das ovelhas,
delicado, mas másculo.

O jovem mal pôde resistir,
como resistir?
As garras do infrene pássaro
     apossaram-se do corpo do príncipe,
             que corria sobre o prado junto dos rebanhos.
Os olhos de Ganímedes viam nuvens de todas as cores.
Zeus, tendo voltado à sua forma,
já sobre os lençóis do Olimpo,
beijou o príncipe troiano nos lábios,
poucas vezes havia visto tamanha beleza,
nem o pescoço de Hera,
nem os seios de Alcmena
ou as pernas de uma ninfa.
Puxou-o para si e o possuiu.
O pai dos deuses,
que tudo podia e a tudo tinha,
sentiu-se ainda mais forte,
seu poder parecia maior...
O poder comparado a uma torre firme,
           que se ergue com o sangue do desejo.

São nestes momentos,
quando nos braços tem um mortal,
que Zeus se aproxima de ser aquilo
      que todos os deuses invejam...
Querem todos eles sentir o que nós,
humanos, sentimos...
Sentir o medo, o calor da vida,
da vida que um dia parte
     e por isso mesmo, a vida torna-se mais viva.

Ganímedes sorriu feliz com seus olhos adolescentes.
Não mais lembrava dos castelos de Tróia,
            das tardes de verão ou das ovelhas.
Seus olhos fecharam-se
      e adormeceram, piscandodoçura.


Encantado, como se fora um anjo,
adormeceu sobre as coxas de Zeus.


Ganímedes

Quem disse que Zeus, o senhor do Olimpo e dos homens, não se apaixonava por rapazes?
Conheçam a história de Ganímedes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gan%C3%ADmedes_(mitologia)












sexta-feira, 6 de abril de 2012

Maysa - Hino ao Amor

   Com certeza eu voltarei a falar dela aqui em outra ocasião. Maysa é destas cantoras que a gente nunca esquece, pois sua voz temerosa como um relâmpago, cheia de emoção e dor assalta-nos o coração. Estou reassistindo a minissérie 'Maysa - Quando fala o coração', exibida em 2009 pela Rede Globo. A minissérie é fantástica, muito bem feita, dirigida, produzida e etc, etc. É mesmo difícil  não impressionar e não emocionar-se, em muitos momentos, com a Maysa interpretada pela atriz Larissa Maciel. Como disse, voltarei em outro momento a falar melhor sobre esta cantora que tanto me fascina com suas músicas que reflectem uma mulher, um ser humano, que chegou à todos os auges, o auge da dor, do estrelato, alguém que talvez  tenha experimentado de quase todos os excessos da vida, inclusive, os excesso do amor. 

Deixo-vos uma cena da minissérie que acabei de assistir. É Larissa Maciel interpretando, mas a voz é de Maysa, claro. 




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pétalas roxas.

Perco a conta
de quantas vezes paro,
tiro os olhos do livro,
e lembro de ti. 

Meu coração ainda 
não se cansou de ser triste
e quer sempre 
   mais uma lágrima 
   com gosto de lembrança.

Diz-me algo, amor.
Manda-me um recado,
sete letras apenas,
pétalas roxas,
diz-me Saudade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Redescobrindo Cazuza

Eu queria ver no escuro do mundo...



segunda-feira, 2 de abril de 2012

O fim de um dia.

Esse é aquele momento de breve renúncia;

em que me deixo cair
de braços,    pernas,
dorso,        queixo        e sentimentos...
Os meus pesares, passos e desejos,
renuncio-vos relâmpago,
por uma noite,
esqueço-os e guardo-os nas minhas gavetas.
É um pender de corpo-todo, alma e mente,
que é amigo nas horas que precisamos do nosso Silêncio.
Recolho-me, deito-me,          mergulho esquecido de mim,
deles, de ti, meu querido, e de toda a estrada, da poeira, dos furacões.

Fecho as cortinas.
A única luz que vejo é a corajosa
e petulante luz do fim do dia,
que já assim fraquinha
diz-me versos tranquilos musicados
por párodos passarinhos
que dependurados nos telhados
me cantam o dormir do sol.

O sol vai deitar-se no colo do ocidente.
Eu,  hei de cair onde os sonhos são gentis
e a realidade é delicada, doce,
como as amoras que eu colhia na infância.


Poema escrito em 14 de março de 2012, em Coimbra. 

domingo, 1 de abril de 2012

Nocturno.


Eu-melancolia.
É o que sou;
uma folha branca em neve
a cair em câmera lenta
ao som de um Nocturno de Choupin.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Chão.

Ás vezes,
quando o céu se coloca assim,
com o sol a sorrir em seus raios
e o céu espalha-se por tudo e todos
                           [neste 'azul-limpo',
Eu,
eu até acredito que o mundo e seus dias
                    [são mesmo sempre bonitos
E que
não há dias de bruma de pranto sozinho
Que não há pouco
e nem Saudade.

Eu olho para o cimo das nuvens
e penso apenas que o que há,
que tudo que há,
é Luz.

Eu sigo pelo passeio e pelas calçadas cinzas,
o sol e suas franjas iluminam
onde piso,
os tijolos e os buracos,

o chão por onde corre o mundo.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Polaróides Urbanas

Aí têm a cena de um filme que adoro. É um filme dirigido por Miguel Falabella. Trata-se de uma comédia, mas que possui muitos elementos dramáticos. Uma comédia com muitas inspirações da própria tragédia grega, como verão se assistirem o filme. Esta é a primeira cena do filme e como percebem, trata-se de uma encenação da clássica peça de Sófocles, Antígona, mas, como não poderia ser diferente, Falabella deu uma nova cara para 'Antígona' e nos leva do espanto ao riso, do riso ao espanto... Uma mistura excelente!



120...150...200 Km por hora

Há muito que escuto esta música. Gosto desta versão cantada por Marília Pêra, esta querida e telentosa atriz brasileira. Marília coloca tanto sentimento e dor em sua interpretação que me arrepio do início ao fim. Marília é muito mais atriz que cantora, por isso, trata-se muito mais de uma interpretação teatral da música. É preciso um gemido grego, 'euripidiano', pra entender e sentir tudo isto! Ai de mim!






As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum

O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você

Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada

Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar

Composição:  Roberto Carlos e Erasmo Carlos