Orpheus, de Franz Stuck

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Narciso




As mãos seguram firmes no dorso,
tão firme que a pele branca, macia, se enche de rosa,
as mãos vão deslizando, sozinhas, sem que precisem de permissão,
contemplando o calor do sangue que corre nas veias,
tomando aquele corpo de calores,
diluindo-se em sentidos,
perdendo-se em gemidos,
em toques,
macios,
fortes,
sensíveis,
petulantes,
destemidos e contentes...
Sente,
o prazer pulsar,
pulsa... pulsa... pulsa...
Loucura cheia de razão,
razão perdida na luxúria,
razão que cede ao falo,
o falo sente,
que responde,
gemidos...
Tormenta de imagens,
passado, presente, futuro,
tudo cai aos pés do delírio,
um delírio consciente,
sarcático,
dormente,
satisfatório...
A satisfação da face,
da face que observa o corpo,
de Narciso,
a ser tocado,
apreciado,
desgustado...
Uma boca,
que desce pelas curvas,
que provoca e desmente,
conquista,
que alucina,
que dança,
dança no dorso,
dança,
dança,
daça e pulsa...
Dança, pulsa, provoca... Sobe e desce,
desce, sobe, pulsa... desce... dança... alto... firme... desce,
é quente... Alto como uma torre, em noites sem dias, alto... firme...
a boca... desce... sobe....
Sente... geme...
E foge...
A mente divaga,
divaga para longe,
longe do tempo,
longe de tudo,
tudo morre em Baco,
tudo vive em Baco,
Narciso...
Escorre o mel de Narciso...
Narciso,
...

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