Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Perder-me-ia

mesmo depois de tanto tempo,
tenho de confessar:

perder-me-ia para sempre
no castanho mágico dos teus olhos,
que é como a cor da terra onde nos amamos
- a Ibéria tem a cor do couro de um boi,
disse um outro poeta. 

perder-me-ia, pela eternidade à fora,
sem contar as horas,
na brancura do teu corpo
que me volta à lembrança 
quando vejo a espuma do mar
que chega à praia nas manhãs mais frias.


hoje,
estou à deriva,
à procura de outros olhos que me abracem,
de um outro mar que me engula,
cansei de ser porto,
atracadouro,
de ver gente passando por mim
e lançando lenços de adeus!

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