Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 3 de janeiro de 2015

FLORES À IEMANJÁ

quem perde um amor
assim
passa a velar um morto

o amor posto
sobre a mesa das lembranças
margaridas frias poisadas
um rosto
que se perdeu
na névoa dos dias
das noites

quem perde amor
perde uma vida
e tem de renascer das cinzas
velando cada pétala de dor
pôr em seu colo
as devidas saudades
e nas palmas das mãos
como conchas
as lágrimas

e ir, depois,
ao mar
lançar coroas de flores à Iemanjá
quem tem um amor
assim
pr'a velar
que vá ao mar
pular as sete ondas
sorrir para as sereias
sem medo da noite
do silêncio
ou das bruxas que nos querem açoitar

as tuas flores se perderão nas ondas
estrelas-marinhas cairão a teus pés
são palavras
novas
dadas pelo mar

para a ele entregares
esta espera
este amor que ainda te faz chorar.

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