Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 30 de junho de 2015

Floripa, 17 de junho de 2015. Noite, madrugada, a janela aberta, eu insonioso.

como é azul e escuro e cheio
de estrelas
o céu no inverno

vejo claramente os braços leitosos da Via-láctea,
gigantes e flutuantes no espaço

tenho mente imaginativa e pensamentos lúbricos
frequentemente
imagino de qual deus terá nascido nossa galáxia,
sendo ela uma via de esperma, não de leite materno

e fico a pensar no lugar
que estamos, no lugar
que a Terra fica dentro dessa galáxia

li em algum lugar que o sistema solar,
o nosso,
fica no finzinho do fim
da Via-láctea, num dos últimos braços ou dedos mindinhos, vivemos,
portanto, num subúrbio sideral

um dia, senhores, um dia
ainda me vou embora, arrancarei as roupas do varal,
e partirei sem despedidas, vou viver no centro galáctico,
vou ser importante,
vou-me embora,
vou-me embora para Alcíone.

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