Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 5 de julho de 2015

Mundo Azul




há em meus olhos tristes
uma chama azul
lâmpada
gás
éter
algo, algo
um sentimento, um jeito, um gesto
que diz que não sou deste mundo

em meus olhos tristes jaz o meu segredo
o caminho de um planeta luminoso e feliz perdido por mim e por meus olhos
numa via distante do Universo

sou um exilado, um rebelado

mas ainda oiço os cantos dos meus irmãos
seres dourados, brancos como a neve, mantos azuis, as orelhas pontudas,
as mãos delicadas e as vozes mais doces e mais belas que já ouvi

um dia voltarei para lá, para a minha Ítaca
o meu Mundo Azul perdido
e ainda não esquecido

a Terra amada de hoje, bela e menos azul,  tem me dado as justas asas
que antes tanto reneguei

há em meus olhos
uma chama azul
apontando para o Sul
revelando a minha sede de transformação
o Amor finalmente começa penetrar minh'alma desterrada

voltarei para casa, há quem lá espere por mim,
uma pequena família amada

o meu peito então nesse dia
 irá refletir
o Sol, o meu Sol, aquele Sol
estrela Suprema Azul, delicada Sirius
de quem tanto sinto falta, de sua luz
que preenche a vida dos angélicos homens do Sul

voltarei, feliz, irmãos
finalmente transmutado
depois de tanto ser proscrito, voltarei
a aura azul-lilás,  nobre, bondoso e luminoso espírito


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