Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

PARA O DIA DOS ''MORTOS''

E dizem as vozes do Além-túmulo:

Mais mortos estão vós.
Presos à gaiola orgânica, podeis ver tão pouco, sentir tão pouco,
compreender ainda tão pouco.


Quando, enfim, se rompem os grilhões
e voltamos à Pátria do Espírito,
voltamos ao nosso estado natural,
os ouvidos então se afinam, a visão se desentorpece,
o véu que encobria a memória milenar é desfeito como fumaça
e o passado nos surge diante dos olhos, tudo se torna mais claro.

Aqui, deste lado, somos mais vivos, mais livres e mais conscientes.
Aqui está a vida.

A Terra, portanto, é nada mais que
estação, escola, temporária prisão,
rio onde vamos, repetidamente, enquanto ainda precisamos,
lavar-nos de nossos erros e vícios,
aprender a amar, a limpar e semear o bem nos corações.

Não chorai pelos mortos nesse dia que atribuís aos mortos.
Não há morte.
O Universo é onda, movimento, fluxo constante,
eternidade,
nada está parado, estagnado, em desuso ou abandonado.

Chorai, sim, pelos que ainda vivem sem se dar do conta do amor,
lei universal da qual ninguém pode fugir.

Pode-se dizer que viver sem amor,
seja na Terra ou em qualquer outro lugar,
estando encarnado ou desencarnado,
é a única experiência de morte que existe.
A ignorância, o ódio, o orgulho e o egoísmo fazem de nós árvores secas, ervas daninhas, ou mesmo uma grande porção de terra ociosa, abandonada, preguiçosa.

Amar é crescer, movimentar-se, libertar-se,
auxiliar a Providência em seus desígnios
e tornar-se, pouco a pouco,
merecedor da Felicidade a que todos estamos destinados.

Lembrai do que vos disse São Francisco,
espírito humilde, desapegado e amigo:
''Morrer é viver para a vida eterna''.

Não chorai, não chorai.
E sobretudo não temais a morte.
Morrer só é sinônimo de sofrer quando chegamos aqui,
do lado da Vida, na Terra do Espírito,
de mãos vazias,
sem obras, com as sementes todas desperdiçadas
e nenhum jardim semeado.
É então que temos de retornar
e mais do que morrer, mais do que o corpo físico perder, dói ao espírito ter de na Terra novamente nascer.

Portanto, aproveitai o tempo,
não desperdiçai a vossa encarnação,
aprendei o quanto antes essa lição
e as dores se dissiparão,
exercitai o perdão, a compaixão,
não deixais de dividir o pão
e sobretudo de amar, de amar como amas a ti
o teu irmão.

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