Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

DEUS

procuro, nesta noite incauta, eu procuro,
a busca talvez mais óbvia,
mas também mais difícil, demoradamente compreendida pelos espíritos,
procuro por Deus nesta noite,
sim, Deus, a face-luz do Universo, da Vida,
o começo, o meio, a eternidade,
a paz, 
a felicidade,
procuro por ele, por Deus, 
que pode, o único que pode, 
me dar paz, pôr fim aos fantasmas todos que ainda teço,
mas é uma busca difícil, como disse, 
somos nós quem temos de caminhar até ele,
que não é um homem, que não é uma mulher,
que é algo para-além da nossa compreensão atual,
ele, o Amor-puro, a Verdade, a Justiça,
o Todo, a Mãe, o Pai,  a causa de todas as coisas,
 aquele que nos criou com todo o seu amor
e que de nós espera o mesmo,
espera que, aos poucos,
aprendamos a ser também amor,
a dar amor, a ensinar amor,
a viver, pensar, sentir
amor,
a pulsar amor,
a distribuir, a mostrar, a orientar os outros a chegarem lá,
no amor universal,
na liberdade verdadeira e na felicidade plena,

sim,
amar, amar, amar,
dividir o pão,
demolir o orgulho, rasgar as vaidades vis,
matar de todo o egoísmo,
perdoar,
mágoas cindir,
amar, ser leve, manso,
aprender a dar a outra face,
e dedicar ao outro o amor que dedicamos a nós próprios,
abandonar, por fim, o pobre e tolo Narciso
e ser grande, belo e humilde como o Cristo. 

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