Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 20 de maio de 2017

06/05/2017

Quando estiveres em tua sacada,
Ouvindo a noite, como dizes,
Quem sabe me ouças no vento
Ou no pio de alívio de uma coruja ouriçada
sejas capaz de ouvir meus gemidos quentes e incompreensíveis.
Talvez tu encontres o caminho da minha boca
no sereno das duas horas, as horas ocas,
uma gota grossa de chuva
a escorrer pelo beirado e a tocar ansiosa tua nuca.
Quem sabe, quem sabe,
No fim desta madrugada que morre afoita
Em tranquilos suores, tu encontres
Os líquidos vivos do meu corpo
A escorrerem da umidade da palmeira
Que treme de prazer quando é tocada
pela luz masculina do sol que já se anuncia.


C. Berndt

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