Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 13 de novembro de 2011

Um corvo.



Uma noite fria e de muitas estrelas,
com  muito vento a balançar minhas roupas,
onde do alto,
no ponto mais alto da cidade,
vejo de longe o nosso lugar,
onde eu melhor te conheci,
te senti,
onde melhor fomos nossos
e dividimos o que de melhor tínhamos.
Há tanta saudade em meu coração
e tanta melancolia em meus gestos,
Partiste e me deixaste uma cidade de lembranças,
onde cada esquina e cada fim de tarde eu te encontro,
a me espreitar com aquele sorriso fácil que é só teu.
Me deixaste uma cidade inteira de lembranças,
como queres que eu esqueça ou que amenize esta dor,
esta ausência?
De ti, hoje, só me chega o silêncio.
Restam-me as ruas, as esquinas, os prédios e as noites,
sou hoje como um corvo saudoso
a gralhar solidão.

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