Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 19 de novembro de 2011

Futuro


Não sei eu o que quer a vida,
não sei o que quer de mim.
Busco teoremas,
consolos,
e consolo é qualquer
música que entenda a minha dor.
Não há manhã que acorde e não pense em ti.
Olhando agora, assim sozinho,
vejo que foi tudo tão rápido,
fiquei com tanto para dar,
fiquei com tudo por dizer,
palavras não me saíram.
Uma despedida sem despedir-se.
Consolo é pensar em futuro,
esperança.
Terei eu a chance de dizer meu coração?
De dizer, sentir e ter, sem prazos,
sem medo de datas,
um calendário-novo
que não conte os dias,
faça-nos esquecer do tempo,
pensar que somos mesmo eternos.
Passearmos sobre a primavera,
com guarda-sóis coloridos,
espreitarmos o rio e deitarmos sobre a beira dele,
pensar-se sempre jovem e belo,
 sorriso,
mel que nunca acaba,
Pensar-se, esquecer-se,
 perder-se em plurais,
em nós.

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