Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 19 de junho de 2011

Há Mistérios em tudo isso?



Eu estou sozinho,
perdido em um vale,
onde não há ninguém,
minha poesia não é mais que ecos,
minha voz não sai,
meus olhos inchados,
só me dizem,
que estou só,
só em um vale do nada,
onde não há dia,
só noite,
só noite.
O pranto já não é mais que quotidiano,
é a companhia desconsolada,
que veste negro e empunha a foice da solidão.
Há mistérios em tudo isso?
Eu não sei...
Me sinto só,
cantando sem que me ouçam,
chorando sem que se importem,
só,
em um vale do nada.
Há Mistérios em tudo isso?
Ouço, as vezes,
um bater de asas,
e penso,
por vezes,
que são anjos.
Mas eles não passam por mim,
não ouvem ou ignoram o meu pranto,
eles passam,
voam para um deus imaginário,
gritando Aleluia, Aleluia...



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