Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 19 de junho de 2012

Na madrugada.

...
(suspiro)
 são coisas minhas,

ideias, cansaços,
pensamentos e versos...
...
Deito-me em tudo isto,
com a alma enfeitada de Nardos 
e os sonhos,
estes,
tenho-os mergulhados 
numa xícara quente que esfumaça camomila. 

não há barulho na noite,
tudo está a dormir
...
meus olhos piscam um mundo apagado.
...
( suspiro)

Não há barulho na minha alma.
Tudo silencia-se,
como um cigarro a queimar sozinho no cinzeiro.

Já lá vãos os sonhos, calados,
as aspirações da madrugada
diluem-se no torpor do chá
ou pulam,
pulam da janela e viram grito.
um grito de quase nada,
grito de grilo,
ou de vaga-lume
que foi dormir desistido
de alumiar o véu da triste viúva,
a Senhora Dona Noite.  

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