Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


ah.
deixa escapar o verso.
ele sempre volta.
volta
pra te assombrar,
pra acordar o teu sono
e romper com teus sonhos.

o corvo-profeta não abandona
o alpendre da tua janela, jovem poeta.
vem sempre gritar aquele ''nunca mais''
que te faz condoer-se pelas tristes palavras
que ele canta.

e,
como milagre da madrugada
-milagres só acontecem quando o sol descansa-,
faz de ti quem resignifica, quem reinventa,
a mágoa que bebe do coração de ambos
- do corvo e do poeta.

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