Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 29 de dezembro de 2012

Alma solitária


E assim,
como uma triste noiva abandonada e soluçante no altar,
a noite vai passando.
E passa de baixo da minha janela,
cantando os versos do poeta da minha terra:

''Ó Alma doce e triste e palpitante!
que cítaras soluçam solitárias
pelas Regiões longínquas, visionárias
do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
quantos silêncios, quantas sombras várias
de esferas imortais, imaginárias,
falam contigo, ó Alma cativante!

Que chama acende os teus faróis noturnos
e veste os teus mistérios taciturnos
dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
como um arcanjo infante, adolescente,
esquecido nos vales da Esperança?!''

Alma solitária, poesia de Cruz e Souza.

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