Orpheus, de Franz Stuck

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Suplício

doce suplício
o de amar alguém assim,

grande suplício amar alguém que não existe,

tolo suplício amar quem  nos deu tão frágil guarida
e jamais dirá com a boca aberta em alegria
e com os dentes à mostra:
''volta, amor''!

suplício
que só me é útil por aqui,
nos escuros corredores da poesia,
nestes quartos desertos por onde me perco,
grito,
e esqueço um pouco de mim,

onde costuro, então, nuvens, invernos
e invento lembranças,

doce suplício
doce,
adorar quem só nos deu a solidão do mar
e as lágrimas todas
de um país que só me ensinou a amar,


doce suplício o de te amar, Portugal,
por que não me deste asas suficientes
para te reencontrar?


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