Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 28 de novembro de 2015

caminho de Santiago



sigo o caminho do peregrino, a via sacra de terra,
comecei pelo ópio, mas antevejo a salvação

é noite e meus olhos castanhos miram o céu com admiração,
colcha negra manchada de esperma,
esperma divino, é certo,
qual dos deuses terá sido o autor da imensa ejaculação?


e no norte gélido vejo a Ursa mãe,
brilhante constelação,
guardada pelo boieiro desumano,
que em sua rouca voz de animal diz ao filho que não mais a reconhece:
o amor de Zeus nos condenou, a ira de Hera verteu nosso sangue,
destino arcano!

fecho os olhos então
e já não mais estou
no norte do atlântico,
mas no sul sidéreo, onde quem brilha na noite é o crucifixo etéreo,
teu corpo sob o meu é agora como a colcha que o deus sujou,
entre as estrelas negras que são teus sinais, surge como mágica, cândida,
esplêndida,
gigante e brilhante galáxia, obra efêmera,
delícia da carne e da paixão,
caminho de Santiago nascido da minha ejaculação!

***

C. Berndt

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