Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

brilha no céu o Sol
da piedade divina
a iluminar nossas delicadas vidas
mesmo sendo a Terra ainda tão parca guarida
tão cheia de misérias e feridas

brilha o Sol da amizade
da beleza, da santa humildade
do amor fraternal e sublime

entrega submissa
que é teu corpo deitado sobre o meu,
jovem Orfeu

candelabros se acendem por todos os lados
luzes e formas fálicas surgem na floresta
do breu

brilha, brilha
calor que incendeia e contenta
tanta ternura
que emudece

e em meu peito resplandece
uma estrela azul de seis pontas
onde dentro há uma cruz
da cor violeta

brilha no céu o Sol do Amor
que põe fim à violência
e me faz acreditar num mundo sem dor

deita então em meu colo,
Jacinto,
amigo, antes que venha a morte,
cantarei para ti,
eu que sou filho de Apolo,
querido das ninfas e da sorte,
acenderei as luzes do corpo
e te levarei ao céu, ao céu

onde será canto nobre e excelso
os gemidos e gritos
que dermos ao norte

reverberado-nos em prazer
em prazer
em prazer
em prazer

num doce, doce

vai e vem

como ondas

e luz no infinito!

***
C, Berndt
10/12/2015 

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