Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 7 de março de 2016

luzes...

apago as luzes
de dentro

para que brilhem

as de fora
as que invejo
as que me inspiram


regulus, denébola,
antares, miliphen, sirius
alcyone
e tantas outras que eu não sei nomear

cintilam
flamejam
miram-me
como se fossem olhos
eternos
ternos
internos

que perpassam a distância infinita que há entre nós

olhos de éter
profundos
celestes
amáveis
terríveis

verdadeiro espelho
onde hoje decidi me mirar
quem sabe um dia eu seja também luz

olhos
luzes impossíveis
que me dizem coisas intraduzíveis

apago-me
em paz e em humildade

baixo enfim
o pano de outro dia
em que ando
bebo água
como pão
perdoo
e tento, tento, nunca em vão, aprender a amar,
ao meu ainda escuro coração iluminar.

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