Orpheus, de Franz Stuck

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pão.



Tenho ciúmes.
Sim... Ciúmes...
Ciúmes de todos aqueles que tiveram mais tempo,
Mais tempo para repetir que gostam dos seus olhos,
Ciúmes de todos aqueles que tiveram mais noites
para sentir o teu calor e os teus braços amigos,
Ciúmes, ciúmes de todos que te beijaram mais vezes,
que tiveram mais e mais chances de sussurrar ao teu ouvido 'eu te amo'...
Ciúmes, ciúmes... Mais chances! Era o que eu precisava!
Chances de dizer o quanto você é especial e querido,
Chances de repetir tardes de música, 
dias chuvosos de mimo,
Chances de sentir, mais vezes, aquela ternura, cândida, 
que invade nossas almas quando se tem a falsa ilusão de que se tem tudo...
Eu queria mais chances, mais tardes, mais dias e horas e horas... Mais, mais tempo!
Mais tempo para que pudéssemos descobrir constelações, criar as nossas, por que não?
Mais e mais tempo para caminhar, de mãos dadas, coisa que pouco fizemos.
Sinto ciúmes de todos aqueles que têm a certeza que voltarão a te ver... 
Se há algo de pesado em minhas lágrimas é justamente esta incerteza.
Bem se sabe e se ouve que o tempo e o mundo caminham sobre caminhos embaralhados,
rezo que no meio desse tear,
possamos nos reencontrar 
e desta vez, as lágrimas, se houverem, sejam por causa de uma partida curtinha,
nada como agora,
neste mar de saudade que já me encontro, sonhando, lembrando,
guardando na caixa dos sonhos, a esperança, 
Esta amiga de poucos, 
que faz de poucas migalhas, um pão.
E assim, 
rogo aos deuses,
se eles existem e fazem-se na indulgência,
que sejamos mais do que um sonho de condão.

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