Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 17 de dezembro de 2011

Viver a dúvida.

Me encantaste,
Tanto e nem imaginas,
Não imaginas quantas noites eu gasto a pensar em ti,
a lembrar,
a tentar sentir novamente o teu cheiro,
sentir novamente aquela sensação de quando me apertavas contra teu peito
e eu me sentia teu, me sentia protegido e amado,
esquecia-me do mundo, do passado e do futuro,
Esquecia-me de tudo porque estava contigo.
Tu te perdeste,
E te perdes todos os dias na minha saudade,
Eu te perco,
Eu me perco tentando encontrar-te,
perco-me a tentar dar vida material para o que são agora só lembranças.
Oh, se imaginasses o quanto eu choro,
O quanto eu rogo para que o futuro não seja mal,
O quanto eu quero que tenhamos sorte,
Que eu tenha sorte e possa te ter novamente...
Eu não consigo olhar para os outros homens,
em todos eles eu te procuro,
E se algum deles me lança um olhar,
eu quero que sejam os teus olhos castanhos e lindos
a mirarem meu rosto melancólico,
se um deles se aproxima,
quero que seja tu a me tocar, me puxar para ti,
dizer que tudo acabou, que vamos ficar juntos,
Que me amas,
apenas tiveste medo de o dizer,
como eu tive.
Eu não posso amar outro,
não seria amor,
eu viveria de comparações,
tentaria fitar os teus olhos
mas eles já não seriam os teus.
Perco-me,
prefiro assim, perder-me mesmo nos desertos das minhas lágrimas,
lágrimas abstratas, ou não,
Prefiro ficar aqui,
pensando, lembrando e sonhando com a minha metafísica...
Sozinho e de negro, em alma,
decido assim,
pelo menos por enquanto,
perder-me,
perder-me na dúvida,
no ''não dito'', no obscuro.
É, dá-me margem para fechar os olhos
e chorar com saudade boa,
com o coração aberto,
acreditando.
Passo a idolatrar as minhas dúvidas,
vivê-las,
torná-las parte de mim.
Tenho medo das respostas,
medo de não de poder vivê-las.

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