Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O CISCO


...tardes volumosas e agitadas movem-se dentro de mim,
chacoalham-se como macacos alvoraçados
que veem seus filhos sendo levados embora
- uma selva de gentes, carros, convites para cafés,
bilhetes, braços e mãos estendidas por mera convenção.

Fumo um cigarro a pensar...
a pensar na palavra-fuga,
na mordaça à balbúrdia que se instala
dentro de mim.
calem-se os babuínos famintos
que dilaceram-me os dias
com sua pressa, afinal!

Mas nada nada é suficiente,
nada nada que possa ser a dose
certa de camomila!

*

Passos vagos numa estrada de pedra,
perdem-se os olhos
e os ouvidos afinam-se:
uma flauta celta
canta tristemente ao fundo da via-sacra.
É como se alguém morresse, afinal.
O mundo nem dá por isso.
O mundo nem dá por mim.

CATAPLIN:
Lá está,
um cisco de diamante,
a pedra perdida do anel de
uma noiva-fantasma
que vaga na terra
e vela as noites e sonhos
dos que não tem medo de si.
Olhar para o céu salvou meu dia!
Eis a fuga que meus olhos ansiavam:

o impossível.

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