Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 18 de maio de 2013

sem musas nem estrelas.

hoje não me apetece falar da noite bonita
que se estende lá fora,
nem dos anjos de cabelos loiros
e túnicas roxas,
que supostamente tecem
os versos tristes de todos os poetas.

as estrelas estão lá, pois,
brilhantes e longínquas,
impossíveis,
mas elas não me dizem nada.

apetece-me falar do cadarço
do sapato da Mariazinha,
que caiu esborrachada
e amassou seu vestido novo;
do João que morreu
atravessando a rua,
quando ia comprar o jornal;
das colherinhas de açúcar
que despejo no café,
com as quais meço os meus dias.

apetece-me, finalmente, a poesia que dança
nas nádegas do rapaz que passa,
exibindo a sua calça laranja.

Um comentário:

  1. Gostei muito. Parece que as estrelas, mesmo loge, foram de grande inspiração :)

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