Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Tempo-novelo.

Foge das minhas mãos
como um novelo que cai
escada abaixo,
rolando,
desfazendo-se, 
desfiando-se,
perdendo-se dos olhos
-olhos que choram de saudade
e melancolia.

Ah, o Tempo!
Ele não volta,
está sempre a cair, cair...
Desfia-se tudo: dias, noites, pessoas
e até o céu.

Mas fica,
fica o gosto do café,
o cheiro do perfume,
a fumaça do cigarro,
o fado ouvido pela primeira vez,
o homem da barba por fazer.
E só com a morte
e talvez nem com ela
se percam e se esqueçam
as lembranças.

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