Orpheus, de Franz Stuck

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SER POETA, SER CRIANÇA.

o poeta não escreve para dizer bonito,
para ser sublime ou para ouvir
os outros a dizer
que debaixo de seu chapéu de poeta
estão escondidas belas e raras palavras.

o poeta escreve para curar velhices,
para reamolecer as juntas
e acotovelar casmurrices.
Escreve, sim, para dilatar a pupila
como fazem os miúdos
diante de uma borboleta que se descasula.

a sublimidade do poeta
está em voltar a vestir a jardineira azul de sua infância
e ir buscar nos jardins-do-mundo
os (des)sentidos
que colorem
e resemeiam a vida.

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