Orpheus, de Franz Stuck

quinta-feira, 25 de junho de 2015

RECADO

cortina branca esvoaçante, o vento
a revelar a esconder
teu corpo,
suspiros, o meu canto é uma coisa truncada
eu sei
lágrimas e gotas, dedo ferido
sal e esperma, recebeste minha carta
já devias ter ido
então por que os teus olhos estão cobertos, o travesseiro limpo
a esconder teu rosto
sabes de tudo, eu te falei da distância do mar, do caminho de espinhos
então por que o espanto e a cara de medo
se ainda ontem me disseste pr'a seguir sem a mão no freio
a cigana da praça leu minha mão, esse silêncio é mentira
a borra do teu café diz que sofres de ansiedade todas as manhãs
e o cão do vizinho te perturba porque lembra meu uivo
minha ira
tenho medo de voltar e não existires mais
palavras vagas, espuma, um eco
cortinas brancas sujas de esperma,
isso foi um grito
ou um gemido, não me responda
achas que gosto das respostas, por certo



p.s.: essa gralha que te leva meu recado é esperta, tenhas cuidado, quando não come palavras, cisma em tornar difuso o que devia ser claro, ela teima em ser surrealista.

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