Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 30 de agosto de 2015

manhã de sol amena
e meiga
é teu rosto, o primeiro que vejo
quando abro os olhos

mar liso, ondulante
e lascivamente inocente
é teu corpo tão entregue a mim, seminu
e adormecido

nuvens brancas de paz e reconciliação
são os nossos lençóis
embrulhados
entre nossas pernas, sinto os teus pés, como são lisos

Primavera que chega e ilumina
o quarto com luzes descansadas
é o amor novo que me trouxeste

levanto-me devagar, o beijo demorado na tua boca
é fôlego para o meu dia

fica a dormir, querido,
quando for noite eu trarei lírios e te despirei
como quem limpa um frágil aquário

dentro de ti, em ti, nadarei
entre corais e medusas pacíficas,
teus pelos se arrepiam e eu estou quase lá

adormecidos
vamos andar de barco no grande rio do espírito,
tu tens os remos,
leva-me ao Mar.

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