Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 29 de agosto de 2015

será que amar
é mergulhar de novo
profundo e delicadamente
no verde esmeraldino
do Atlântico
que se reapresenta a mim
através desse par de olhos novos
que encontrei em dias invernais?


será que amar
é mesmo possível
como antes
e ver as gaivotas poisando na praia
e caminhar catando conchas
e olhar as tuas sardas como se fossem
a Via Láctea
e beijar teu dorso, apertar tuas pernas,
sentir teu corpo leve se abrir para mim em prazer revelado
e sincero?


será amar
ou é o mar
do desejo
que, por sede, sempre nos está a empurrar
para a frente, para alguém,
em suas marolas há corpos de gente,
o meu e o teu, enrolados agora
em lençóis brancos acetinados
numa quinta-feira à noite, nus sobre a cama ainda fria,
carentes de quentura, prontos para a guerra?

será?

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