Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 15 de março de 2011

A abstração mais linda e cruel do ser.




O tempo prova quem somos e quem erámos.
O tempo modifica, cria, inova e renova.
O tempo faz crescer, amadurecer, morrer.
O tempo mostra o que é que vale menos, poderia ter valido mais, ou não.

O tempo é quem nos diz se aquele beijo vai deixar saudades.
O tempo é quem nos grita que fomos tolos, que erramos podendo acertar.
O tempo é quem nos faz sorrir ao olhar para o passado que já se foi e não volta.
O tempo é quem insiste em mostrar-nos que não se pode esquecer de escolher.

O tempo é o pai.
O tempo é a morte que nos devora a cada segundo.
O tempo é quem despreza os lamentos de Gaya e nos engole.
O tempo é quem nos dá todas as chances.

O tempo nos toma das mãos de Cloto,
Faz cair e levantar sob o colo de Láquesis,
e nos joga sob o crivo da impiedosa tesoura de Átropos.
O tempo é nada, é tudo, é a abstração mais linda e cruel do ser.

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