Orphee Mort by Jean Delville, 1893.

domingo, 20 de março de 2011

Os teus olhos tristes me disseram.







Hoje vi novamente os teus olhos.
Vi  os teus olhos me encararem com tristeza.
Não reconheço o motivo desta tristeza.
A não ser se for a tristeza de me ver tão perto.
Talvez seja.
Prefiro acreditar no contrário.
Prefiro acreditar que no fundo,
nos charcos da tua alma, nos confins,
tu também pensas em mim e pensas,
pensas, pensas e pensas que poderíamos dar certo.
Poderíamos. Para isso, só precisavas matar o teu silencio,
este silêncio que tanto me tortura.
Este silêncio que  me faz escravo da esperança.
A esperança, aquela, a única, que resistiu à curiosidade de Pandora.
Aquela que nem mesmo a morte pode vencer,
aquela que sufoca a angústia, mas alimenta com pão seco o coração
dos que ainda têm fé.
Os teus olhos tristes hoje me disseram que poderíamos dar certo.
Poderíamos.

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