Orpheus, de Franz Stuck

sexta-feira, 4 de março de 2011

Eu não me importo mais.





Eu não me importo mais.
Queria não me importar.
Confesso, ainda me sinto tentado,
teus olhos ainda me fascinam.
Encantado, não mais me vejo.
O estado de encantamento combateu com a realidade.
A realidade venceu.

Você não gosta de mim, 

ou gosta pouco, 
ou finge não gostar.
Não conheço você,
mas o queria fazer,
ter esta chance.


Há momentos, poucos, que 
tenho, sonho, a leve sensação de ter você  a me admirar,
mas de longe.
O teu medo parece ser maior.
Não entendo, mas queria que me dissesses.
Queria que me explicasses. 


Não me importo mais.
É mentira. Me importo todas as vezes que me ignoras.
Me importo todas as vezes que finges não me ver, 
quando nada me diz, como se eu fosse um nada.
Talvez eu seja.
Um nada.


De tanto sonhar, 
esperar, crer, tentar...
Eu tento, tentei...
Não sei se continuarei. 
Minha esperança já fugiu da caixa.


Mas o sonho sempre é alimento dos pobres.
Quis deus assim. Para os famintos, somente sonho.
Não me importo.
Não vejo mais deus.
Não vejo mais sonho.
Eu não me importo mais.
É mentira.



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