Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 22 de maio de 2012

Copo com alfazema.

As minhas tempestades se acalmaram,
as nuvens
que

bagunçavam-me por dentro,
que relampejavam-me
                         dores,
                    dispersaram-se.

As ondas que batiam forte
sobre as minhas mágoas
e não deixavam-me
chorar em silêncio,

      calaram-se
- o mar que há dentro de mim está quieto.

Não que não sinta mais nada,
não, inda choro,
e penso que há-de ser raro
o momento que encontrarei outro,
como tu,
que me agrade tanto,
no cheiro que me embriagava,
no modo como olhava
              para mim e para o mundo...

Meus olhos
ainda choram quando lembram
e sentem a tua falta,
Mas eu já estou em paz
com o lado da minha cama
   que fica frio,
   todas as noites.

Sinto,
sinto a Saudade
me morder sempre,
- e o ciúme também.

Olho pr'a ti, agora,
como um verão gostoso
que se foi,
como uma cantiga feliz
 que tornou-se fado.

Eu sonho,
e quero de novo te ver,
...
mas, juro,
uma calma me invadiu.

O meu coração,
que outrora gritara como louco,
enfim, descansa dentro de um copo
com alfazema.

As paredes do meu espírito,
sonâmbulas,
agora ressonam em algum silêncio.

As tempestades se foram.
 Restou uma chuva fina
...
delicada,
triste em lágrimas contidas,
melancólica em suspiros fundos.

Vou passear com meu guarda-chuva
e com os meus sonhos,

vou por aí, anjinho,
com a saudade,
com um punhadinho de sorrisos
e com alguma esperança
   por debaixo do braço.
Quem sabe,
um dia esta chuvinha também passe,
vá se embora,

e você venha pular as poças comigo.


Um comentário:

  1. li e nao pude deixar de comentar, é triste mas adorei....

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