Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O pó que somos.





Acordar ainda antes do sol.
Sentir o sereno que o céu tece sobre a terra,
Ouvir o dia começar a cantar-se, cheio de graça,
e inocência.

Ter a certeza que se está dentro de tudo isso.
Dentro de lá, de cá, dos montes, da lua,
do sol, dos pássaros,
Como uma grande sinfonia, onde cada nota,
cada som, é essencial.

Ver a noite sumir, a luz tomar conta de tudo,
o verde deixar de ser negro, o azul tomar conta de todas as almas.
Há almas não azuis, é verdade.
Há almas verdes, encarnadas e até mesmo, 
negras. 

Há os que amam. Há os que nem tanto.
Há os que odeiam. Todos talvez, um dia odiaram.
Mas não sempre. 

Não importa. O sol brilha,
a chuva cai, as estrelas cobrem,
a borboleta vê e o pássaro foge,
para todos, de todos. 
Justiça, duvido às vezes.
Mas, só às vezes.

Há quem diga, que do pó e para o pó,
todos vieram e caminharão para tal.
A diferença consiste no modo como você vê,
vê o mundo, as cores, as almas.
Para muitos, ser e não ser pó não diz nada.
Para outros, diz tudo.
Para poucos, é alguma coisa. 

O pó que revive, que canta, que foge das narinas,
de todos.

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