Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 12 de junho de 2011

O dia do silêncio.






Hoje é aquele dia em que me escondo,
me escondo,
sob a luz de um candeia calada,
que pouco revela,
e ilumina apenas minha face,
que chora.
Guardo-me na melancolia,
recolho-me em escuridão,
de baixo da mesa,
longe dos olhos,
longe de todos,
longe.
Hoje é o dia em que eu me reservo ao silêncio,
me reservo às lembranças,
e para elas confesso minhas lágrimas,
à elas não consigo mentir,
e desfiro todo o meu prato,
soluço,
mergulhado em nostalgia,
em desespero.
Mas ao fim da noite,
quando a luz da candeia ofuscar-se
perante a luz do sol,
eu me levantarei,
abandonarei as sombras,
regressarei ao mundo dos poucos,
em silêncio,
com o pranto calado,
e as lembranças trancadas,
trancadas no cofre da solidão.
Sentirei no peito,
maior alívio,
quando chegar o fim,
o fim do dia do silêncio.

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