Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pássaro negro.




Eu pergunto-me
E todos também se perguntam,
Porque ando assim tão triste,
olhos para baixo, 
fitando qualquer coisa 
que ficou perdida lá - no tempo...
Há uma palavra
que não sai de mim,
ela vive entranhada no meu ser,
ditando todos os meus gestos e pensamentos.


Melancolia.

Sou um pássaro negro
de cantar triste e solitário
que se enche todos os dias de melancolia,
que vive na árvore mais alta
do monte mais alto que se pode ver 
daqui de baixo.
E todos os dias,
mesmo estes que são cheios de sol, 
só os são porque estão fora de mim,
se estivessem cá dentro, 
seriam dias brumosos de pouca luz e muito frio,
só se ouviria o meu cantar,
pássaro negro e pequeno de tristeza,
que só sente saudade
e canta o passado, as lembranças,
pois nelas existe ainda alguma vida
e alguma esperança futura. 
Um pássaro tonto,
preso em um céu roxo.
Só quero voar, voar...
Voar para ti. 

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