Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Maysa - Uma melancolia que ganha corpo.

       Terminei de reassistir a minissérie 'Maysa - Quando fala o coração'. Maysa acabou com meu estoque de lenços. O último capítulo da minissérie, principalmente, emocionou-me muito. As cenas em que Maysa e Jaime se reconciliam são extremamente tocantes. Acho difícil que alguém consiga não chorar nestas cenas. Eu não consegui. Estou em êxtase, reassistir esta minissérie deixou-me extremamente tocado por algo que ainda não sei... Talvez, seja apenas a minha melancolia. Talvez, Maysa, durante estes dias, com sua história e suas canções, tenha dado um corpo para minha melancolia, pois eu a senti como se ela fosse um outro ser humano, agarrado a mim, cantando-me coisas tristes, falando-me de amor e de coisas 'humanas', vi a minha humanidade tocada como poucas vezes antes. 
     A primeira vez que assisti esta minissérie foi há três anos, quando estava sendo transmitida pela primeira vez, na Tv. Contudo, desta vez, revendo-a, percebi muitas outras coisas que antes me fugiram, que antes não faziam sentido para mim. Hoje, estas coisas fazem sentido. Mas isso talvez se dê pelo fato de eu não ser mais aquele garoto, com recéns dezessete anos completos. Eu sou um outro, com muitas outras coisas vividas, pensadas, sentidas e sofridas. Hoje, me sinto mais próximo das coisas que Maysa tanto fala e nos mostra em sua história e suas canções, sinto-me próximo de algo que nem se quer consigo nomear, ou talvez consiga. Sinto-me próximo de 'minha humanidade', ou talvez, deva dizer 'maturidade'... Que seja. Não procuro muitas respostas ainda. Não nesta noite, pelo menos. Ainda estou me vestindo com as dúvidas e com a esperança. 
     Terminado de assistir o último capítulo da minissérie, eu fui ao youtube, comecei a assistir o especial: ''Maysa: estudos'', que tem quase uma hora de duração apenas, produzido em 1975 pela Tv Cultura. Neste programa, vemos a verdadeira Maysa. A verdadeira Maysa Monjardim a falar de si, de amor, da vida, de saudade... Este é um sentimento que me fica, tanto ao ver a minissérie, como ao ver o especial da Tv Cultura. Maysa foi fundo no que entendemos como 'saudade' e entendo bem isso quando ela diz, em certo momento, com seus olhos incrivelmente verdes, que '' nada é para sempre''. Conhecendo a história dela como conheci nestes dias, quase pude entender do que ela falava. Quase pude entender de quais momentos ela sentia saudade e lembrava com melancolia e claro, com alegria também. ''A vida é irrecuperável'' - diz o ator/apresentador/diretor Antônio Abujamra. 
         Acho que vou sempre sentir saudades. Saudades de pessoas que passaram em minha vida e  que se foram. Saudade de momentos que vivi, de situações, lugares, cheiros, comidas, dias, fins de tarde, árvores... Vou lembrar, com a garganta apertando, de coisas que eu tive e vivi e que, por um motivo ou outro, foram-se. Mas as coisas são mesmo assim, tudo se vai e vem, algumas coisas e pessoas voltam. Eu torço, torço para que eu possa ter algumas coisas de volta, reviver novamente alguns momentos... Porém, estes já serão outros momentos, 'outras pessoas', talvez. Ainda assim, eu torço. Tantos dias e momentos ainda estão por vir, não é? Venham. 
        Despeço-me deixando-vos com estas indagações/inquietações/reflexões. Despeço-me e deixo-vos a doce, forte e contundente voz de Maysa, cantando nada menos do que 'Ne me quite pas'. Aproveito para vos indicar o link de um blog, onde encontram todos os vídeos deste especial da Tv Cultura, 'Maysa : estudos', organizados e em sua respectiva ordem: 


Bonne nuit. 


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