Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 3 de abril de 2011

Desce, desce do teu altar imaculado.



Eu não vou mais lamentar.
Não vou mais chorar, nem mesmo pensar que poderia ter sido diferente.
Eu sei que poderia. Eu sei que se você me dissesse: vem. Eu iria.
Mas não mais serei o poeta que te chora nos versos.
Não mais serás o senhor dos meus sonhos.
Ainda vives aqui, te ouço bater no meu peito.
Mas o que não mata, ensina.
Se algum dia resolveres descer do teu altar, da tua arrogância,
sabes onde me encontrar.
E aí, os dias mais ensolarados poderão existir para você.
Poderás, enfim, conhecer aquilo que eu te ofereci e tu negaste.
Apenas desce, desce do teu altar imaculado.
Quando decidires por fim a esta tempestade, eu estarei aqui.
Te oferecerei os dias mais claros e sorridentes.
Por enquanto, permaneço com meu guarda-chuva aberto,
a espreitar o caminho do qual não vem ninguém.

2 comentários:

  1. ih! dias de tormenta.... quem é o ser imaculado???? dhaushdsh amei... a soberba reina para alguns seres q embora humanos, sente-se divinos....

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  2. Cedo ou tarde, todos nós nos deparamos com um ser destes, alguém que se considera a cima do bem e do mal e que não ama nada além do espelho. É válido, quando este é uma Esfinge de verdade. Neste caso, aprende-se que você pode ser "devorado", ou seja, pode magoar-se muito e a dor sempre acaba por nos fazer amadurecer. O pior é quando é uma "pseudo-esfinge", alguém tão pobre de espírito que prefere viver na lama ao invés de reconhecer a luz que tenta iluminá-la.

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