Orpheus, de Franz Stuck

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Esqueça, esqueça, esqueça.




Hoje a noite é quente e agradável,
ela cheira a lavanda.
Hoje o céu me parece claro e luminoso,
a lua me diverte com seu sorriso, as estrelas
me dizem para olhar para frente.
Hoje não sinto medo, remorso,
angústia, me sinto repleto...
Repleto de boas novas, de sonhos novos...
Hoje não há tristeza e nem lágrima.
Não há tempo para lamentar.
Não há espaço para ausência.
Hoje só há dança, música,
poesia.
Hoje é dia de esquecimento, de renovação,
dia em que se sopra as cinzas.
Hoje é o dia do canto, não ouves?
O canto da libertação, as correntes já se partiram.
Os Querubins, Serafins e quem mais quiser, já entenderam o sinal.
Eles cantam. Eles cantam.
Cantam porque foram libertos. Não ouvem mais as minhas lamurias.
Não ouvem e não voltarão a ouvir. Não as mesmas.
Eles cantam. Eles cantam.
Cantam o hino da libertação, que os livra do peso de me consolar.
Cantam porque podem voar, rodopiar e  trazer-me novos dons,
cheiros, sentimentos... Cantam porque me mostram um novo caminho.
Um caminho onde não vejo indiferença, preconceito, rejeição, frustração.
Só os ouço cantar, a dizer-me, "esqueça, esqueça, esqueça."
Hoje é o dia em que canto, canto junto a estes seres jubilosos...
Hoje é o dia em que entrego o meu coração ao esquecimento,
"esqueça, esqueça, esqueça..."

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