Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Tempo engoliu as filhas das lágrimas.




O Tempo me mostrou o quanto não valia a pena.
O Tempo me mostrou que lutar por isto já era causa perdida.
O Tempo me mostrou que os deuses velaram por mim,
me mostrou que eles me defenderam do que era na verdade uma grande mentira.
O Tempo me mostrou que não podia, não devia e nem mesmo permitiria que eu me enganasse tanto,
ele foi justo, pontual, um verdadeiro legislador da ordem. 
O Tempo me mostrou que eu estava a desperdiçar o meu tempo.
O Tempo me mostrou que eu mereço muito mais, que eu não fui feito para contentar-me com aquilo,
com migalhas. 
O Tempo ofuscou o medo, matou a frustração e a transformou em motivo de riso.
O Tempo me mostrou o quanto fui privilegiado, o quanto fui poupado.
O Tempo engoliu todos aqueles dias noturnos.
O Tempo engolliu todos os filhos das lágrimas.
O Tempo dissipou todo o nevoeiro que me cobria. 
O Tempo fez de mim o seu arauto.
Sou eu quem ri, sou eu quem o agradece por ter sido quem foi. 
O Tempo revelou-me sua face, a mais lindas delas.
Por isso, já cantam, "Tempo,Tempo,Tempo... és um dos deuses mais lindos..."

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