Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bocas...





...
sorrio,
mordo os lábios,
espero...
Odeio esperar, odeio.
odeio...
doem os lábios, claro.
Relógio,
ponteiro,
parede sem tinta,
pensamento vê longe,
pardal que pousa,
na janela,
e nas lembranças,
calmaria...
Silencia tudo...
Silencia a impaciência,
silencia o dia,
a lembrança,
é ela que tem os sons...
Música irritante.
Onde...
Onde?
travesseiro,
de baixo dele,
escrivaninha,
ao lado do livro,
não, não está...
Onde está?
Música irritante.
Lábios se contraem,
mãos soam,
onde, onde?
Ah sim,
no bolso...
No bolso da calça, claro.
No chão, ao lado do All Star.
Doce, sua doce voz.
Sim.
Sorriso...
as mãos soam,
mas por outro motivo
que não ansiedade.
Coração pula alto,
lembranças...
Lábios, os meus...
Mordiscados,
sentidos...
Pelos teus,
teus lábios nos meus...
Sim, até já...
Sorrio,
boca se morde
de ansiedade de novo,
por um beijo...
Um  beijo que não tarda,
já vem.
Cortina que voa,
pardal também,
porta que bate,
escadas são longas,
vento que faz voar a folha,
folha da planta
no vaso sem água...
Fechadura gelada.
Porta,
vento de novo.
Sorriso,
adoro sua camiseta lilás,
vem,
boca...
Bocas...
Mordiscam-se...
uma na outra...
O pardal,
que seguiu seu caminho,
canta e sabe,
onde levam os caminhos
do beijo,
da boca, 
das mãos que soam-se,
do corpo,
companhia esperada, 
ansiada, 
bocas, boca, bocas
..........

Nenhum comentário:

Postar um comentário